Nos sábados, a TV aberta contém uma programação mais voltada para o entretenimento familiar. Natural, já que é no fim de semana que a família costuma se reunir diante das telinhas. Durante muito tempo, os sábados eram iguais: Filmes, Silvio Santos, Raul Gil e desenhos animados. Mas o advento da classe C e o crescimento da TV fechada trouxeram a necessidade de uma reinvenção, considerando-as boas ou não, mesmo que modesta.
O antigo conhecido dos brasileiros, o programa de auditório, continuou como o mais pedido. Mas não do mesmo jeito. O cada vez maior poder de consumo da classe C exigiu uma popularização e um contato maior, gerando identificação com os programas. Assim, surgiram O melhor do Brasil, e reformulações nos antigos, como o Caldeirão do Hulk.
Luciano Hulk tornou-se o queridinho da TV Brasileira, um rosto que cativou a publicidade e os lares nacionais. Popular pelos gestos de cidadania e por contar histórias que sensibilizam as pessoas, O Caldeirão é líder absoluto de audiência em seu horário.
Mas o meu post hoje é dedicado ao programa O melhor do Brasil, que, admito, adoro. Antes de vocês questionarem meu já duvidoso gosto, vou lhes dizer o por quê.
Também figura carimbada no mundo da publicidade, Rodrigo Faro teve a difícil missão de substituir um programa bem sucedido comandado pelo galã Márcio Garcia. O jeito escrachado de Faro logo despertou estranhamento no público. Mas ele conquistou o seu lugar ao Sol, tendo mais de quatro horas de programa, dominando o fim de tarde e noite da rede Record. O programa é extremamente popular e humorado, quase um show de horrores. Rodrigo Faro entra no seu palco munido de dois anões, dois marmanjos malhados e com opção sexual bem duvidosa e várias mulheres
bonitas. Reúne tudo que o brasileiro gosta: cidadania, a vida dos outros, comédia e pegação. O que é Insensato Coração diante de Rodrigo Faro vestido de Lady Gaga em rede nacional?
Eu tenho um profundo asco à Rede Record. Verdade verdadeira. Não suporto essa mania de copiar descaradamente a Rede Globo, somente esquecendo-se do detalhe Padrão de Qualidade técnica no que se faz. Mas O melhor do Brasil não é uma imitação de absolutamente nada da Globo: é autêntico e anda com suas próprias pernas. Faro conduz seu Freak Show com naturalidade e sem medo do ridículo, proporcionado àquilo que todo programa de auditória batalha pra fazer: entretenimento.
É ridículo? É. Edifica o cérebro humano? Não. Mas entretém, e esse é o seu único objetivo, sem maiores pretensões. Além do que foge da mesmice, procurando constantemente inovações, mas mantendo o que está dando certo.
Não gosto de pessoas extremamente metidas a intelectualizadas. Já entrei em confronto de ideias muito frequentemente pelo meu apreço ao popular. Criou-se o mau costume de rotular tudo que é popular como ruim e todos que gostam do que é popular como vazios, e esses são dois grandes erros. Não adianta absolutamente nada eu ler Tolstói, saber todas as teorias de Karl Marx, assistir somente aos filmes de Woody Allen e necas de televisão. Eu estou me formando comunicóloga, faço publicidade, preciso falar para as massas. A massa é rentável. É de uma ignorância sem limites olhar seu público com distanciamento. Sim, eu aprecio o popular e sei a diferença entre informação e entretenimento.
É incrível o quanto já me cobraram uma ligação maior com o que julgam de melhor qualidade. Mas eu sinto muito, pessoas. Não leio somente pra ser metida a inteligente e não assisto somente o que é Cult. TV, cinema e literatura representam para mim um hobby e um alívio, por poder vivenciar um mundo próprio, longe de preocupações filosóficas.
O entretenimento é necessário. O inconveniente é que ele ultrapasse a barreira do comum, onde o velho circo da dobradinha “pão e circo” seja maior e mais levado em conta do que a dura realidade que vivemos. A premissa é achar um meio termo.
A indústria cultural possui várias vertentes. E é errado subjugá-las baseando-se em conceitos pré-formados e opiniões pessoais. Trocando por miúdos, o que é bom para mim, não precisa e nem deve ser bom para você. E repito: não é por ser popular, que algo é ruim. Me taxem de ignorante, se for conveniente. Mas eu gosto de O Melhor do Brasil.
2 Comentários:
Dança gatinho.
Seu texto sempre muito bom de ler.
Camila é popular, rapá! rsrs...Quem te julgar e te repelir pelos programas de TV que você assiste, vai perder a oportunidade de conhecer uma pessoa incrível...
Muito bom o texto, como sempre.
Apesar de nem sempre comentar, leio todos os seus textos.
=]
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