11 de maio de 2011

Fiasco de 2014 e Vexame de 2016

 

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Todos estão lembrados do famigerado momento em que o Brasil comemorou a conquista da realização da Copa de 2014. E logo depois, mais uma vitória: a possibilidade de sediar as Olimpíadas de 2016 no estado do Rio de Janeiro. Quanta euforia, quanta felicidade?

E agora?

Agora lidamos com a possibilidade real e assustadora de passarmos por um vexame mundial.

Observem bem os problemas que precisamos driblar com passes de craque: primeiro, a questão de verba. De onde tiraremos o dinheiro que irá custear todas as exigências da FIFA? Outro, e dos grandes. O caos aéreo. Ninguém, até a própria presidente Dilma, deve acreditar que os problemas dos aeroportos brasileiros serão resolvidos até 2014. É absolutamente impossível.

Há alguns meses o Fantástico exibiu uma reportagem alertando-nos para a fraca segurança dos nossos aeroportos. Já lidamos com transtornos, imagine com um contingente multiplicado por mil? Que tipo de segurança a Infraero poderá oferecer para brasileiros e turistas? Até então, nenhuma.

Um problema do tipo “máximo”: transportes. Você chega em Salvador, desembarca do seu TAM-barrinha-de-cereais-áereas. E agora? Vai pegar o metrô? Ou talvez o VLT? Ambos são utopia do governo. Um taxi? Esse pode ser melhor conhecido como “assalto a mão no volante”. Hum... Ônibus! Ah, esse eu falo com propriedade: não vai rolar! O transporte público de Salvador é uma vergonha. Na verdade, nesta atual conjuntura, o transporte público do Brasil é uma vergonha. Estamos muito atrás dos padrões da Europa, Estados Unidos e Japão. Estamos atrás da China, nosso companheiro igualmente emergente. E para os soteropolitanos, engarrafamento na Bonocô, ACM, Luís Eduardo, Patamares, Av. Paralela e adjacências são constantes, em todo santo ou profano dia. Imagine em dia de jogo?

Caos no céu, caos na terra.

Roberto Pompeu Toledo falou sabiamente numa carta aberta a Dilma em uma das últimas edições de VEJA. A sugestão de Pompeu Toledo era objetiva, engraçadinha e coerente: brigar com a FIFA!

A instituição FIFA é realmente uma ditadura desportiva. Sem falar da CBF e seu Moammar Kadhafi próprio, Ricardo Teixeira. As exigências são absurdas. A imposição de tantos estádios novos (inclusive alguns que se tornarão elefantes brancos gigantes) e de tantas despesas, por consequência, poderiam sim ser questionada antes de acatada. E nem pensem em trazer a abertura da Copa para a nossa primeira capital, Salvador! Não temos condições, obrigada.

Obviamente que o eterno fanfarrão, o bobo da corte presidencial, Luís Inácio Lula da Silva, é um regente da desgraça que nos espera. E sua cúpula petista forma os alicerces do absurdo.

É como se Lula tivesse dito “pois muito bem! Tragam a Copa, tragam as Olimpíadas e para-olimpíadas! Será a minha glória. E se não der tempo? O Brasil é que se ferre pra fazer o resto. Não serei mais presidente mesmo... Ainda posso voltar como ‘o salvador’ facinho”.

Dilma, querida, você não merece isso. A presidente do nosso país tem me surpreendido positivamente. Alguns de seus posicionamentos divergem do que eu penso ser melhor, outros são muito bons. Mas, ao menos, hoje temos uma política externa digna e de posicionamentos firmes. E não acho que Dilma precise passar pela fatídica situação de ter que escolher entre o vexame mundial de perder o título de sede ou afundar o seu país na merda para atender mais essa herança da era Lula.

Dilma, Cesare Batistti já foi um pepino imenso e cascudo que seu mentor lhe entregou. Esse da Copa tende ser maior. Vamos sair dessa!

São claros como o céu de um meio dia no verão os transtornos estruturais do Brasil. Mas a luz da reforma e do trabalho nas arestas não existe. Posso (e rezo para) estar errada. Mas se tudo caminhar desta maneira, se os dirigentes e o governo continuarem se fazendo de desentendidos e negando problemas, a Copa de 2014 será um fiasco. E as Olimpíadas do Rio irão seguir o fluxo.

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