O ser humano é uma maravilha da natureza. Consegue ser plural na singularidade, consegue ser peculiar, muito embora, previsível em algumas de suas características.
O que torna o homem mais fascinante é o instinto, que pode se manifestar em diversas atitudes, e são elas, as atitudes, que dizem quem realmente somos. O ser humano, na beleza da sua pluralidade, se distingue naquilo que faz.
A manifestação humana gera reações em cadeia por meio de recepções individuais. Ou seja, a sua atitude reflete simetricamente na atitude do outro. E isso nem sempre se dá de maneira positiva e concordante. E são as diferenças que movem importantes instituições da sociedade. A democracia é uma delas. A beleza das diferenças deve ser apreciada e, sobretudo, respeitada.
Toda essa preleção para tentar firmar o terreno para tocar em um ponto sensível dos últimos dias.
Mayara Petruso poderia ser só mais uma garota paulistana de classe média, ignorante e fraca, como tantas outras idênticas e anônimas. Uma pessoa que, em demonstração de mais pura ironia, estuda Direito numa Faculdade de esquina, onde a mensalidade sobrepõe a qualidade de ensino. Seria só mais uma profissional fraca entregue no mercado que, pouco a pouco, seria engolida por profissionais melhores e aí, talvez, aprendesse que chega uma fase na vida que o poder aquisitivo torna-se ínfimo diante do poder da sapiência. Seria. Mas Mayara Petruso é, hoje, o retrato feio de um preconceito.
No último domingo, dia 31 de Outubro, Dilma Rousseff foi eleita presidente do Brasil, para desgosto de 45% dos brasileiros, e me incluo nestes. Todavia, o desgosto não pode ser maior que o respeito. A maioria decide, a minoria acata, cobra, observa. E Mayara Petruso, não de maneira isolada, foi a ignorância em pessoa ao não aceitar a eleição da candidata petista e ao ofender, da maneira mais baixa e descarada possível, toda uma cultura, através do microblog mais popular da atualidade, o Twitter.
“Nordestino não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!” foi o Tweet mais carinhoso da garota, que incentivou uma onda de violência generalizada. Essa garota é tão ignorante, na raiz da palavra, que desprezou o fato de que Dilma Rousseff seria eleita mesmo sem os votos do Nordeste: a candidata somaria mais de 1 milhão de votos de vantagem sob José Serra. Mais imbecil foi um rapaz, que falou “de Minas pra cima, queria que tivesse uma enchente e matasse todos”, esquecendo-se que Minas Gerais deu 58% dos seus votos válidos à eleita.
É mais lamentável o número de abstenções: 21% dos brasileiros ou não voltaram ou anularam seu voto.
E no que se diz a respeito de “voto consciente”, deveríamos buscar, antes de mais nada, uma conscientização local. Nenhum paulista deveria questionar as decisões de outra região antes de perguntar a seus vizinhos, parentes e amigos: demos mais de 1 milhão de votos ao Tiririca. O que há de errado conosco?
Disse na última postagem: o brasileiro precisa aprender a votar. Todos nós precisamos aprender no berço a importância da democracia, o quanto sua conquista foi suada. Restabelecer valores, aprender novamente a respeitar a pluralidade: passos que irão nos deixar livres de futuras Mayaras.
Essa menina é uma pobre coitada. Certamente não teve educação doméstica e está somente reproduzindo o que ouve em casa achando natural se desfazer dos outros para se sentir melhor, numa verborragia de asneiras. É uma pessoa fadada a ser, por toda a vida, medíocre. Nunca vai enxergar a vida além do óbvio.
Além de tudo isso, precisamos aprender que as mídias sociais são maravilhosas e nos dão oportunidades. Mas usar esta ferramenta com caráter é imprescindível. Se esconder do outro lado de uma tela de computador não te exime de culpa.
Os problemas do nordeste devem ser encarados como questões de humanidade. A fome, a deficiência na educação (questões que estão muito além dessa fronteira que criaram) devem ser combatidas com força pelos políticos. Infelizmente a cultura do Pão e Circo acompanhada de políticas superficiais, que ignoram a estrutura dos problemas, falam mais alto.
Eu sou contra Bolsa Família, sou contra o Assistencialismo. Mas não admito duas situações: primeiro, que generalizem o nordeste. Somos um conglomerado de culturas lindas e que formam a base do Brasil. Somos pessoas diferentes e com pensamentos distintos, mas somos fiéis aos nossos ideais. Segundo: que desprezem e ridicularizem os nossos problemas. O nordestino se compadece e respeita os problemas de enchente no Tietê (São Paulo), em Santa Catarina, no Rio de Janeiro. Não ousem agir diferente conosco.
Eu não votei em Dilma, achei que elegê-la foi um ato impensado e sei que a parcela mais humilde da população votou na petista massivamente. Mas respeito seus 54%. E respeito essa camada humilde, que é mais digna dos que tem um certo grau de instrução, mas perdem feio no quesito caráter.
Sim, vejo Dilma Rousseff como uma amadora e acredito que ela seja incapaz de governar o Brasil. Mas hoje, vendo o leite derramado, só rezo para estar errada.
E não, não tenho absolutamente nada contra os que vivem no sul do Brasil. Ainda tenho esperança que atitudes como a de Mayara Petruso sejam isoladas. Assim como sei, já que faço parte desta parcela, que não são todos os eleitores de Serra que veem o mundo por essa máscara preconceituosa. Essas pessoas devem responder em juízo por suas ofensas.
1 Comentários:
As Mayaras da vida estão espalhadas por aí, sempre. E isso ficou nitido nos comentários posteriores ao dela. Numa entravista, a OAB-PE, disse que é a segunda vez que eles levantam um processo contra esse tipo de atitude. Houve uma campanha de ajuda as vitimas das enchentes que ocorreram em Pernambuco. E algumas pessoa do Sul/Suldeste fizeram uma contra campanha. Fico triste com essa fronteira bizarra que foi feita em nosso país. O Nordeste passa por problemas como disse, mas esse é um retrato de todo nosso país, a única diferença é que aqui é mais expressivo. Fico triste pelo fato de que a coisa não está na esfera da escolha de governo somente, afinal, Mayara nem disse qual era seu candidato favorito. Ela pode ter votado nulo. E mesmo que esteja, votação não deve ser vista como uma BA-VI. Triste mesmo é saber que esse tipo de preconceito é tão enraizado. As fronteiras se tornam grandes muros invisiveis e fazem das pessoas do outro lado seres menosprezados. Fronteiras essas que nem deveriam existir. Somos uma nação que está caminhando, e passa por inumeros porblemas econômicos e culturais. E isso independe de governo, isso depende de política, isso, política da forma mais ampla. Política feita por todos nós, e não só por governantes. Independente do candidato Y ou N, a política é feita por nós também. Atitudes como a de Mayara mostra como boa parte do nosso país está nessa medíocridade. Lamentável.
Postar um comentário