16 de outubro de 2010

O inimigo sempre foi outro

tropa de elite

A realidade dança na nossa frente, mas é duro enxergá-la. Ela é tão dolorosa que torna válida a nossa ficção particular. Um castelo de utopias faz com que descansemos mais confortavelmente, longe da dureza que a vida humana é. Pensar na realidade é desesperador, pessimista e suicida. Ela não é fácil, irmão.

Tropa de Elite 2 nos oferece um choque com a realidade. Até os mais incrédulos, veem-na. E desta vez, o capitão Nascimento bate em nossas caras.

Por mais que Tropa de Elite 2 aborde a cadeia de corrupção que é o sistema, o inimigo, no fim das contas, somos nós.

Seja no tráfico de drogas, no crime organizado ou no processo de milícias, é o brasileiro quem alimenta a podridão da sociedade. E faz isso de forma tão recorrente, que derrubar a merda que fizemos exige muito mais do que um grupo de pessoas engajadas. Nem José Padilha ousa transportar essa fantasia para um filme de ficção.

O inimigo é o eleitor, que se corrompe, que não avalia corretamente o valor do voto. O inimigo é o “cidadão” que alimenta cada aspecto podre da sociedade, que consome loucamente drogas, pirataria e praticam “pequenos delitos”.

A corrupção é real e está arraigada no poder público há muitos e muitos anos e hoje, conseguimos vê-la mais facilmente. É por isso que a imprensa é tão fundamental neste processo de tornar a realidade palpável e cada vez mais difícil de ignorar.

O problema é que a imprensa também pode se vender. Seja anti ou pró governo, meios de comunicação não são mais confiáveis. O que nos cabe é procurar e caçar o máximo de informação para, a partir daí, tomar conclusões com embasamentos.

Tropa_de_Elite2_09Em ano de eleição, Tropa de Elite 2 precisava ter sido lançado no primeiro turno. Porque, mesmo que não conseguisse trazer o brasileiro para a realidade, nos traria uma significativa identificação com políticos reais, como esses tantos “jornalistas” sensacionalistas que são peões do crime e costumam, vez ou outra, aparecer nas urnas ou com os políticos “ficha-sujas”, reeleitos justamente por eleitores sem a menor consciência.

Assim como seu antecessor, Tropa de elite 2 faz uma crítica sagaz aos chamados “esquerdistas metidos a intelectuais”. Conheço muitos deles, que andam por aí de camisas com imagens do “astro pop” Che Guevara, tirando uma de “sabidão” dando muito sermão por aí. Enquanto, na verdade, esses seres humanos desfilam a mais absurda ignorância ao idolatrarem um bandido, ao salvaguardarem uma ideologia perdida e fadada ao fracasso e defendendo “direitos humanos” para os bandidos que tiram esses mesmos direitos de pessoas de bem. Fazem tudo isso com um baseado no bolso.

Coronel Nascimento é um típico anti-heroi realista. Mas, para mim, ele é um herói nos moldes reais. Se existissem heróis nessa vida, seriam como ele.

No que se trata de Cinema, é incrível como Wagner Moura está cada vez mais maravilhoso. Ele é, de longe, o melhor ator que já vi. E o filme está extremamente bem feito, bem amarrado, cheio de emoções que nós, na plateia, sentimos. E como sentimos.

Tropa de elite 2 dá uma rasteira educada em “Lula o filho do Brasil”. É uma vergonha que tenhamos o filme que conta a história do presidente popularesco deste país representando o Brasil no Oscar. Tropa de elite 2 seria o melhor e maior indicado. Nunca vi uma produção nacional tão válida.

Eu escrevi tanto e só uma palavra caberia para caracterizar esse filme: Perfeito.BOPE

Na verdade, duas: Completamente perfeito.

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