8 de outubro de 2010

Mais uma batalha pela frente…

 

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O Segundo turno trará uma grande oportunidade para o Brasil. Mas o brasileiro precisa, antes de qualquer coisa, aprender a dar valor a essa oportunidade.

Lula tentou, e por vezes conseguiu, desmoralizar a política. Primeiro, ao estabelecer relações internacionais vergonhosas, apoiando ditaduras e políticas ostensivas. Em seguida, ao tentar tornar “natural” o uso de Caixa 2 em campanhas. Como se não bastasse, Lula ainda usou esses oito anos de poder para ascender o Assistencialismo disfarçado de Políticas Sociais e tentar desmoralizar e conter a imprensa. Agora, Lula quer nos empurrar “goela abaixo” uma mulher despreparada e insana mascarada de “mãe do Brasil”, que está mais para “Mãe do Chuck”, com todo respeito ao Chuck.

Não deixemos que ele obtenha êxito desta vez.

José Serra pode não ser o candidato dos sonhos para os coerentes eleitores de Marina Silva. Mas José Serra representa uma austera vontade de trazer o Brasil para os eixos. É um erro dizer que Serra é FHC, assim como é um erro dizer que Dilma é Lula. E devo afirmar que a participação de José Serra no governo de Fernando Henrique Cardoso, como ministro, foi excelente e ele, até hoje, é o melhor ministro da saúde que o Brasil já teve.

José Serra fez com que a AIDS deixasse de ser uma sentença de morte. E como governador de São Paulo implantou dez novos hospitais e deu grande prioridade ao transporte público com ampliação das linhas do metrô.

Esses são os fatos. Programas planejados e executados por José Serra. Enquanto isso, Dilma Roussef trabalha com hipóteses, achismos e programas planejados e executados pelo presidente Lula. É achar que o povo é realmente besta e não tem discernimento. A gente sabe quem foi o presidente, quem foi eleito. E não foi a Dilma, que caiu de gaiata como candidata depois que a lista de sucessores que o Lula preparou foi caindo por terra, nome a nome, com os sucessivos escândalos. Por pouco, a própria Dilma não cai, já que apenas com meses de representatividade política pereceu às ilegalidades envolvendo o seu Ministério da casa Civil. Só pontuando, em 25 anos de carreira política, José Serra jamais se envolveu em escândalos.

Tenho a certeza absoluta que o segundo turno representa muito mais do que uma chance ao Brasil. Foi um golpe no presidente, que considerava “sua companheira” eleita há muito. O Brasil merece aplausos por mostrar que não se rende tão facilmente ao chavismo e a essa “ditadura democrática” que estamos vivendo. A democracia é soberana e Lula que, volto a repetir, tenta desmoralizá-la ao longo desses oito anos, precisa aprender que não é um rei soberano e inabalável.

O Brasil melhorou, isso é um fato. Mas essa melhoria não pode ser creditada ao governo petista. A política econômica do Brasil é sólida porque Lula não mexeu em uma vírgula do plano econômico iniciado por Itamar Franco e consolidado por FHC. Mudou para Bolsa família o Bolsa Alimentação que José serra criou, que funcionava como um auxílio acompanhado de projetos de capacitação. Ou seja, as grandes plataformas do Governo Lula são projetos concebidos antes mesmo de ele chegar ao poder.

Marina Silva Há quem defenda que Marina Silva deve, por obrigação e coerência, apoiar Dilma Roussef ou manter-se nula. Primeiro: O PT que um dia Marina Silva integrou não é mais o PT de hoje. Ele perdeu sua essência, suas características maiores. O PT fundado por Lula está sendo afundado pelos seus partidários atuais que repetem os erros que tanto criticaram quando eram oposição. Marina, ao discordar das maracutaias que via dentro do governo, foi “convidada a deixar” o Partido dos Trabalhadores. Incoerência seria, portanto, apoiar Dilma Roussef. Incoerência e regressão, aliás.

Segundo: ao manter-se nula, Marina estaria desprezando uma excelente oportunidade de trazer para o Brasil algumas das suas propostas, o que é uma vitória dentro da sua derrota lamentada. Não seria uma atitude “Marineira” se desvaler dos 20 milhões de votos que conquistou tão brilhantemente.

Se o PT se recusa a reconhecer, eu vejo muito tucano reconhecendo e aplaudindo a importância que Marina Silva representou neste processo eleitoral. Uma guerreira munida de armas limpas.

O apoio de Marina Silva será fundamental. Mas qualquer decisão dela, tenho certeza (sendo ou não a que gostaria) será bem estudada, como tudo o que ela apresentou nesta campanha.

O posicionamento de Serra neste segundo turno precisa ser revigorador. Sim, é insolência de minha parte, uma jovem estudante de comunicação com habilitação em Publicidade que vê uma especialização em Marketing Político como futuro, meter o nariz numa campanha consistente. Mas eu acredito que Serra errou ao demorar em se posicionar e ao demorar em definir seu vice. Depois, errou ao não explorar os (muitos) aspectos positivos do vice, Índio da Costa. Por exemplo, foi ele o relator da Lei popular Ficha Limpa e ele também compõe a Comissão de justiça. Jovem, Índio da Costa é um grande nome no Rio de Janeiro e integra a Comissão de Defesa do Consumidor. Não é difícil ver pontos convenientes nesse vice-presidente.

Serra tem que abordar os seguintes aspectos: A fraqueza de Lula e companhia em não conseguir trabalhar com a oposição. Serra sabe trabalhar com a oposição e fazer alianças muito melhor do que o PT, que só este ano, na pessoa do presidente Lula, disse querer extirpar o DEM (ou DEMOS, como muitos Lulistas chamam no auge da sua irracionalidade e incapacidade de lidar com outros partidos) e se aliou a Sarney e Collor. Já a base aliada de Serra no governo de São Paulo foi ampla e bem relacionada contando, inclusive, com apoio do PV.

CONGRESSO/PSDB Outro grande ponto que poderá ser explorado habilidosamente: a existência carismática de Aécio Neves. Aécio, com certeza, será presidente do Brasil um dia. O trabalho que este tucano fez em Minas Gerais foi tão notável que por lá, ele é muito apoiado. O neto de Tancredo Neves conseguiu fazer com que o candidato Anastasia (que foi se vice) saísse de um estado desconhecido para uma eleição no primeiro turno. Diferente do que Lula fez com Dilma, ele trabalhou com fundamentos nas propostas de Anastasia e teve dados concretos, uma vez que este assumiu o governo de Minas quando Aécio Neves saiu candidato ao senado.

Aécio precisa trabalhar certo também com José Serra neste segundo turno. O novo senador de Minas pode ser fundamental nesta derradeira corrida presidencial.

Já partindo para um campo pessoal, José Serra tem um poderoso artifício: uma oratória muito mais habilidosa e infinitamente superior em relação à sua adversária, que demonstra amadorismo e inexperiência em cada frase de embate.

Enfim, o segundo turno ainda irá se desenhar e tudo depende das novas campanhas e de uma melhor explanação e propostas esmiuçadas. O primeiro turno, infelizmente, foi fraco em políticas dinâmicas e profundas. Também vi pouquíssimo duelo entre Serra e Dilma, que, acredito eu, tinham mais questões a trocar do que realmente trocaram.

É apostar e ver no que dá.

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