
Num típico dia das Bruxas, Dilma Rouseff se elege presidente. E eu não a caracterizaria como a primeira mulher a ocupar o mais alto cargo deste país. Eu a denominaria como a maior das amadoras a ser eleita. Ser mulher é o que menos vale nesse caso. As bruxas estão soltas!
O que Dilma é, e o posto que ocupará muito em breve, deve ao Lula, que tornou uma “Zé ninguém” nunca antes na história deste país vereadora, prefeita, deputada ou senadora, Presidente da república federativa do Brasil.
Honestamente, eu estou muito sentida com o resultado das eleições. Não só por mim, mas por este país. A ignorância do brasileiro e o descaso com a democracia estão mais visíveis do que nunca. O brasileiro, neste 31 de Outubro de 2010, saudou o assistencialismo e a corrupção de maneira vergonhosa.
O Brasil estará entregue ao nada nos próximos quatro anos. E se preparem para viver mais claramente o “jeito de fazer política tipicamente latino americano”. Com negações de realidade, controle de imprensa e deboche à democracia. E isso já era tão pertinente, que o presidente Lula recebeu um sonoro “Não” ao pleitear uma vaga na ONU com o seu secretário geral, Ban Ki-moon. A negativa foi justificada por nosso populista presidente se aliar a países como Irã e Venezuela.
Não comemore, Brasil. Eu me sinto menos culpada, já que tenho a consciência limpa por ter votado em Serra. Mas, generalizando, nós fizemos uma merda secular. E quatro anos é muito tempo.
Tenho visto no Twitter uma revolta massiva contra o nordeste, que foi o responsável por uma parte significativa dos votos que elegeram Dilma Rousseff. Mas muitos outros fatores contribuíram.
O número de abstenções foi o maior já registrado: cerca de 21%. E Minas Gerais e Rio Grande do Sul deram seu maior percentual de votos à eleita.
Esse grande número de abstenções reflete um Brasil onde a maior parte do seu povo estava descontente com os candidatos. E Dilma não pode se vangloriar muito: esteve longe de obter uma maioria expressiva, o que significa que terá que lidar com o desgosto de uma boa parcela da população.
É importante, sobretudo, respeitar o nordeste. Mas eu, como nordestina, lamento muito que minha região tenha contribuído com isso.
Temos o descaso de muitos, a incompreensão de tantos. Somos humildes, carentes e descobriram uma maneira simples e descarada de nos amordaçar: o assistencialismo.
Quem tem fome, quem tem sede, quem tem pressa não quer saber de onde vem a esmola: somente precisa dela. Quem tem pouca educação, quem tem saúde frágil, precisa do imediato e nem se lembra do duradouro. O nordestino, esse povo tão querido, tão amoroso e alegre mesmo na dificuldade, age com seus instintos.
Mas o nordeste precisa parar de se contentar com o pão e o circo. Precisa saber que o que ele faz reflete nas gerações futuras.
E o Brasil inteiro precisa aprender a votar urgentemente. Não aceito a desculpa de que votar em Tiririca foi protesto! Se fosse no nordeste, seria burrice. Sul, olha para teu próprio umbigo e aprende que nenhuma das nossas regiões pode dizer que vota bem. Somos um bando de bobos. Somos feitos de bobo.
Infelizmente, está feito. Mas cabe a nós, a expressiva parte que integra a oposição, cobrar e, sobretudo, fiscalizar.
E ao nordeste, cabe observar se as promessas serão cumpridas. Minha Bahia, mais do que nunca. Com o Governador Wagner reeleito, com deputados e senadores da base do PT, é preciso observar se algo vai melhorar para nós.
Vejo dificuldades.
Exemplo real: quando eu trabalhava para um órgão da prefeitura de Camaçari, governada pelo PT, pediram aos funcionários que elegessem alguns candidatos a deputado do partido. Um deles, defende o baixo sul do estado, bem distante da região metropolitana de Salvador, onde Camaçari está. Ele foi eleito. Será que se lembrará da minha cidade?
O governador da Bahia, Jaques Wagner, responsável pela BA-093, a via Parafuso, já avisou que em Março de 2011 começará a cobrar pedágio para passar pela estrada, que dá acesso ao Pólo de Camaçari. O interessante é que o fato de o coordenador da campanha de Wagner ser o prefeito da cidade, Luís Caetano, não impediu que se desse tal situação. Entrar e sair de Camaçari vai custar caro, uma vez que a outra via, a estrada Cascalheira, já é pedagiada há anos. E aí eu me pergunto: o que, no fim das contas, a Bahia tem como lucro ao eleger o PT? Votar não é mais um dever cívico. É uma manipulação que funciona graças à troca de interesses. E isso me preocupa.
Por falar em Camaçari, ficaria extremamente contente ao saber quando a ponte de uma das principais avenidas da cidade, que desabou com a chuva de março, ficará pronta. Espero que este meu município natal fique atento. Elegeu muita gente aliada ao prefeito nas Câmaras de deputados Estadual e Federal. Será, meu Deus, que o município terá algum benefício com isso?
Enfim, fica registrado o meu pensamento.
E para descontrair esse clima tenso, fui ao Cinema com meu noivo, Leonardo, hoje. Assistimos “Comer Rezar e Amar”, um delicioso filme que nos ensina lições de vida importantes. Sobretudo, viver a vida com prazer, inclusive, ao comer! Foi um dia extremamente gostoso num domingo atípico de Shopping vazio. Mas ter Leo ao lado é sempre gostoso. Estamos às vésperas de completar dois anos juntos e cada dia parece ser melhor. Começar a planejar um casamento, uma família, uma casa... Tudo isso é revigorante, especial.
É o que me dá esperanças para viver feliz até 2014.
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