O segundo turno das eleições já começou mostrando que será mais incisivo do que o primeiro. No debate da Band, que aconteceu ontem, 10 de Outubro, ficou claro que os presidenciáveis dispensaram o discurso pacificador e encararam o inevitável embate. José Serra fez, finalmente, as perguntas que todo o Brasil gostaria de fazer à Dilma Rousseff e a candidata do PT, na ausência de melhores instruções, bateu numa mesma tecla por duas horas: as privatizações.
Obviamente, a polêmica postura de Dilma à cerca do aborto foi abordada logo no início. E para coroar, de certo num tom proposital, a Revista Veja desta semana trouxe em sua capa uma Dilma duas caras, que ora diz uma coisa, ora diz outra, não só no que se trata do aborto, mas em outros aspectos também.
Há quem diga que esta discussão é incabível neste país, que ainda precisa evoluir em saúde pública e que esta sim, é uma questão de urgência maior. Mas as opiniões sobre o aborto, ao contrário do que essas pessoas pensam, é muito importante e está diretamente relacionada à saúde.
O incrível é que, recentemente, um ex-professor meu e pessoa que muito gosto, disse que “lamenta o meu desengajamento em questões de gênero”. Pois bem, eu lamento o desengajamento de muitos em questões de defesa da vida.
O Brasil precisa, antes de qualquer coisa, evoluir em conscientização. Esta é a palavra-chave. A legalização do Aborto em tempos como esses será absorvida como método contraceptivo. Imaginem só a gravidade disso: Mulheres se submeterem a uma invasão em seu próprio corpo. Sem a consciência devidamente trabalhada, a camisinha, o anticoncepcional e seus derivados serão completamente abandonados porque haverá “uma outra alternativa”. Não duvidem disso.
Daí, o Brasil irá arcar, economicamente, com grandes prejuízos. A chance de contaminação com DSTs irá crescer e os coquetéis e medicamentos serão recursos cada vez mais necessários, as especializações em aborto pelo SUS surgirá, a tentativa de um planejamento familiar cairá por terra. E tudo isso, sairá do bolso do contribuinte.
Ao contrário das afirmações de que discutir o aborto é uma piada, é lamentável que o Brasil só tenha parado para refletir sobre isso agora.
Ou seja, o aborto é um tema que poderá ser acatado em alguns anos, mas hoje, nem pensar. Por isso, o assunto é tão grave e precisa ser debatido.
Em minha opinião, o aborto se configura em dois crimes: tentativa de suicídio e homicídio doloso. É um atentado ao direito à vida, um crime e um ato de irresponsabilidade tamanha. Mas ele é, infelizmente, mais comum do que a gente imagina.
Por conseguinte, as forças religiosas precisam ser levadas em consideração. O Brasil é o maior país em católicos e em espíritas do mundo e tem um número de evangélicos enorme. Ou seja, religião conta, e muito, nas decisões. E todas elas condenam o Aborto.
Para algumas religiões a vida se inicia na fecundação, para outras, na primeira semana (período em que o embrião começa a se desenvolver). Para alguns juristas, a formação do cérebro, na segunda semana de gravidez, é o marco do início de uma vida já que a morte encefálica é o que determina seu fim. Na quarta semana, o coração já bate.
Existe quem defenda o Aborto alegando que em alguns países de primeiro mundo, como Estados Unidos e Canadá, a prática seja legalizada. No entanto, voltamos para aquela questão inicial e mais considerável: a conscientização, um pilar incomparável.
Nos planos políticos, o PT sempre foi pró-aborto. Em 2007, no Congresso do Partido, foi aceita a “Defesa da autodeterminação das mulheres, da descriminalização do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público, evitando a gravidez não desejada (sic)”. Ao pé da letra, a palavra “evitando” significa que o Aborto seria aceito como método contraceptivo. Irônico, uma vez que quando ele é realizado, já houve a concepção.
O incabível é Dilma se distanciar da opinião do seu partido apenas para conquistar o voto dos eleitores religiosos de Marina Silva. Incabível e inexplicável. Por mais que ela se esforce para tentar se justificar, as opiniões já foram colocadas à mesa. E são as opiniões, refletidas em atitudes, que definem uma pessoa.
É a candidata Dilma desmentindo a ministra Dilma.
No debate da Band, Dilma acusou José Serra de ter “mil caras”. Ao meu ver, Dilma estava olhando para um espelho e adjetivando a si própria. Não podemos esquecer um fato recente: quando Dilma foi acusada de pôr em seu plano de governo medidas de controle á imprensa por meio de “observatórios”, alegou que assinou sem ler.
Em 2009, Dilma Rousseff, numa Conferência da ONU, classificou como um “escândalo” que países em desenvolvimento (como o Brasil) tivessem que contribuir para um fundo de preservação ambiental. Hoje, precisando de Marina silva para se eleger, Dilma virou Dilminha Paz e Amor, surfista da onda Verde.
É como José Serra afirmou ontem, domingo, 10 de outubro de 2010: o PT está tentando espalhar a desinformação e a dualidade de opinião para ludibriar o eleitor.
É duro, mas é verdade. O PT quer nos enganar. E cabe a nós não permitirmos.
1 Comentários:
PERFEITO, PERFEITO. Muito bom mesmo! Coerente, convicente, e claro. Muito bom Mila!
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