10 de setembro de 2010

A reinvenção de um mito

Lady-Gaga-Just-Dance

A fórmula do sucesso é metafórica. Mas a existência de um valor intangível, e até mesmo etéreo, agregado a uma pessoa, é real. Falando de pessoas que realmente ganham a fama em níveis astronômicos, e não de meras celebridades momentâneas, a música tem passado por uma reconstrução total com alguns desses nomes. Em tese. Talvez não passe de uma reinvenção do “mais daquilo mesmo”.

A nova rainha do Pop não é bonita, não tem uma voz maravilhosa, nem tem um look super atraente. Lady Gaga na verdade parece um ser andrógeno e bizarro em níveis extremos. Mas não tem como negar que ela descobriu uma maquininha do sucesso e emplacou 4 hits consecutivos na primeira posição da Billboard, faturou o posto de vídeo mais assistido do Twitter com “Bad Romance” e você pode até não gostar dela, mas é só ligar o rádio ou a TV que vai ouvi-la ou vê-la em questão de minutos. Muitos questionam a idoneidade de Gaga e este local de prestígio em que ela está soberana.

O problema deste novo fenômeno Pop é a tentativa de “causar”. O que ela toma como Inovador é somente uma repaginação daquilo que já vimos. Natural, já que nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. O que Lady Gaga “inventa” em cada clipe que lança, é uma versão Século XXI daquilo que Madonna fez nos anos de 1980.

gaga1 Prova maior é um dos mais recentes singles de Gaga, Alejandro. O que prometeu ser o mais polêmico dos seus filmes nada mais é do que um sample de duas músicas de Madonna: La isla bonita e Like a Prayer. A primeira, lhe ofereceu o ritmo latino. A segunda, o teor “anti-cristão e pecaminoso”.

O posicionamento de Lady Gaga também já foi ocupado pela primeira diva do Pop. A cantora é a atual musa gay, é a detentora dos figurinos mais ousados e inusitados e usa e abusa da irreverência. Seria legal, se isso já não tivesse sido explorado em 1980.

Talvez sem Madonna, não existiria Lady Gaga. Sem Madonna, na verdade, a música Pop ainda seria quadrada. Madonna é um mito real. Gaga é só o genérico versão 2.0. O que não a torna ruim de ouvir. Confesso que escuto as músicas dela mais do que gostaria, mas isso não muda as coisas.

restart_04 Na verdade, a música de hoje passa por uma onda diferente. O que antes era Reino dos Emos, hoje é o Mundo dos Coloridos, formado por bandas como Cine, Restart, Hori e Cia, famosas pelas calças coloridas e apertadas, cabelos estranhos e adereços bizarros. Esse “sucesso” é somente uma fase, mas irá definir o futuro desses que hoje, são os fãs dessas bandas. Eles formam uma “geração revoltada” reinventada e bem menos inflamada.

O Sertanejo universitário também é uma nova onda momentânea. luan-santanaAs calças jeans justas e os olhos vesgos de Luan Santana mexem muito com a cabeça dos jovens, que veem nele a reinvenção do velho sertanejo, que há muito não se atualizava. 

Ou seja, nada disso que vemos nos sucessos pops da música atual é realmente inovador. Duvido também que dure muito (com fé em Deus). Eu prefiro o tempo em que a música nos acrescentava algo ou acrescentava para a sociedade. Bandas como Legião Urbana, que compuseram letras que são atuais e que tem muito conteúdo até nas mais bobas canções, movimentos como o Tropicalismo, que foi um grito de revolução no meio do cinza militar, fazem falta quando vemos em que a música se transformou.109405777

Essa é a nova indústria da música. E nós já somos velhos demais para suportá-la.

2 Comentários:

Borboleta Livre disse...

Esqueceu da Cher que, antes da Mad, foi a Deusa do Pop. Sou admiradora da Lady (pra não dizer fã e Cleber dizer "Eu falei, eu falei que era fã") e acho realmente que sua forma de se expressar artisticamente, embora sejá um reinvenção do que um dia foi novo, merece, com todo o meu apreço, os parabéns pela inteligência, criatividade, ousadia e conexão com a modernidade.

Borboleta Livre disse...

Esqueceu da Cher que, antes da Mad, foi a Deusa do Pop. Sou admiradora da Lady (pra não dizer fã e Cleber dizer "Eu falei, eu falei que era fã") e acho realmente que sua forma de se expressar artisticamente, embora sejá um reinvenção do que um dia foi novo, merece, com todo o meu apreço, os parabéns pela inteligência, criatividade, ousadia e conexão com a modernidade.