27 de setembro de 2010

Afasta de mim esse "Cale-se"




Texto baseado na matéria de Capa da Revista VEJA de 29 de Setembro.

Capa do Jornal Extra da semana passada, em resposta ao posicionamento de Lula sobre os escândalos recentes que envolveram seu governo.


Em 1964 instaurou-se a censura no Brasil, advinda do regime militar. Somente após a redemocratização do nosso país que pudemos voltar a respirar o doce ar da liberdade de expressão. No entanto, a imprensa está em perigo novamente.

Lula definitivamente não sabe lidar com críticas. E o PT, se desmanchando com a lama podre em que está afundando após sucessivos escândalos, parece não aguentar mais ser rechaçado pelos erros que comete no governo. Os casos de lobby, maracutaia e ilegalidade que envolvem a recém demitida ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, foram como um tiro no castelo de cartas construído pela campanha da candidata à presidência Dilma Roussef, que afirma categoricamente que o ministério da casa civil é o mais importante entre todos. Logo então, na menina dos olhos do poder executivo, bandidos se refestelam com o dinheiro público ali, bem debaixo do nariz de Lula e Dilma.

Como era de se esperar, ao invés de apoiar a constante investigação e, por conseguinte, a punição dos envolvidos com os recentes escândalos petistas, Luís Inácio Lula da Silva, não mais presidente da república, mas sim o garoto-propaganda da campanha de Dilma, se posiciona em ataque à imprensa, afirmando (usando as palavras da própria VEJA) “que os veículos de comunicação “inventam” coisas (sic). Vociferou contra jornais e revistas que destilariam “ódio” e prometeu “derrotar” aqueles que se comportam como se fossem um partido político”. Como assim?

Lula está se inspirando nos seus amigos totalitários da América Latina, como Hugo Chávez, que tem a imprensa venezuelana nas mãos desde que fechou emissoras e jornais importantes que criticavam seu governo, e Cristina Kirchner, que enfrenta o caos econômico da Argentina de um modo muito peculiar: forjando os números do seu governo para que o país pense que está tudo bem.

O grande problema é que esta não é a primeira vez que Lula investe contra a liberdade justa que a imprensa tem de denunciar toda a infame podridão petista. Segundo VEJA, desde 2003 que o PT busca controlar o que ele chama de “mídia”. Em 2004, o Planalto chegou a anunciar a expulsão do jornalista Larry Rohter, correspondente do NY Times, porque ele fez uma reportagem contando aquilo que todos nós sabemos: Lula gosta de beber. E muito. O governo voltou atrás. Ainda em 2004, Luiz Gushiken tentou criar o Conselho Federal de Jornalismo, um pseudônimo para Controle de Imprensa, onde o governo iria “fiscalizar, disciplinar e orientar” jornalistas. Foi engavetado. Em 2008, surge o Projeto mordaça, advindo da brilhante ideia de Tarso Genro de punir com até quatro anos de prisão aqueles que divulgarem conteúdos de grampos, os seja, jornalistas investigativos. Isso veio à tona depois de uma reportagem de VEJA que envolvia o governo e o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

Em 2009, uma tentativa de cassação de concessões de emissoras de rádio e TV (me lembra muito Hugo Chávez!). Em julho deste ano, o programa de governo do PT, aprovado por Dilma Roussef, fala da interferência do governo na programação, gerenciamento e propriedade das emissoras de rádio e TV. E agora, Lula desafia aquilo que foi conquistado com o sangue, suor e lágrimas de muitos: a liberdade de expressão.

Por conta de tudo isso, um dos fundadores do PT, Hélio Bicudo, lançou nesta semana um Manifesto em Defesa da Democracia (você não leu errado!). Ele ainda diz, em entrevista, que Lula provou que não sabe nada sobre a esquerda. Lula não leu Lenin, nem Gramsci, diz Hélio. O que ele faz vai de encontro com aquilo que propuseram os “pensadores esquerdistas”, muito mais famosos e inteligentes do que ele, que desafia qualquer um que critica a sua imagem polida de “paizinho”.

Participe do Manifesto. É algo que independe de partido e vai além.

http://www.defesadademocracia.com.br/


Li certa vez que “universitário que vota no DEM merece apanhar da polícia novamente”. Isso é o pensamento arcaico de Lula refletindo na população. Lula disse esses dias que quer extirpar o DEM. Como pode um presidente da república praticamente confessar que não sabe trabalhar com a oposição?

Durante anos, Lula foi a oposição. E neste período, tudo que a imprensa dizia contra o governo lhe convinha muito bem. Esse “líder” quer passar o bastão para uma pessoa que certamente tentará, de todas as formas, amordaçar e até mesmo desmoralizar o jornalismo brasileiro.

E o povo vai deixar. Porque o povo já está amordaçado. E a verdade até aparece, mas não se impõe.

Também li de um certo mestre de comunicação que acha baixo divulgar os podres da presidenciável Dilma. Esquece-se daquela premissa básica de “pesquisar o que os candidatos já fizeram”. Independente do teto de vidro.

Faltando poucos dias para ser consumada, na urna eletrônica, a ignorância do povo, digo àquela pessoa que falou a asneira “universitário que vota no DEM merece apanhar da polícia de novo”, que estudante universitário de comunicação que vota no PT deveria perder o diploma, já que está abnegando o direito de um dia, usá-lo.

1 Comentários:

Camila Mandarino disse...

A pedido da queridona Lenny, vou esclarecer algumas coisas sobre o uso do termo 'Lobby' neste texto.

Polít. Pessoas ou reunião de pessoas que, originalmente nas salas de espera do Congresso, procuram, junto a legisladores, influenciá-los para obter medidas favoráveis para si ou para grupos que representam.

é bem verdade que o lobby não tem uma conotação negativa, necessariamente. Entretanto, as práticas convencionais da política brasileira levaram-nos a colocar o lobby como aquela prática de pressão ostensiva de se interferir nas decisões do poder público em prol de interesses privados (Wikipedia).

Tanto que temos os 'Lobistas', que são ilegais de acordo com a nossa legislação e o termo não deriva de 'Lobby' atoa.

Mas é importante perceber que essa palavra, como outras da língua portuguesa, nos dá alguns significados diferentes.

O utilizado neste texto segue somente a conotação 'cultural'.

=)