
Se aquele gol não estivesse impedido, se ele cabeceasse só mais um pouquinho pra baixo, se aquele gol acontecesse... São tantos “se” que poderiam ter feito a diferença, mas são somente suposições.
Não há demérito em levantar a cabeça depois da perda deste título. O time lutou, foi guerreiro e jogou com muita raça, tanta, que venceu a partida. Eu digo que não estou com raiva ou triste: tenho orgulho do meu time, do meu Vitória, que chegou à final.
Em certo tempo do jogo, que eu estava acompanhando pela Globo, um internauta perguntou sobre o que valia mais: a técnica ou a raça. Júnior, ex-jogador e atual comentarista da emissora, se limitou a dizer que seria a técnica. Júnior, eu sei que você tem muito mais experiência e conhecimento de causa do que eu e, por isso, saberia fundamentar melhor sua resposta. Mas me permita discordar.
Eu acredito que a raça move um time. É meio hipocrisia reclamar que na Copa do Mundo faltou raça se não valorizamos essa vontade de fazer a diferença. É claro que a técnica rende frutos com mais facilidade. Mas a raça move uma torcida e pode sim converter-se em pontos positivos, de modo que a vitória seja ainda mais digna.
Técnica por técnica é o feijão com arroz.
A não conquista do título não me chateou, como já disse. Uma coisa que realmente me chateou foi a parcialidade dos comentaristas, que em nenhum momento narraram o jogo com o profissionalismo que se espera de uma transmissão. E isso eu não falo somente em nome do meu Vitória, falo em nome do Nordeste, que sempre se viu subjugado a “soberania” do Sudeste e Sul.
Há dois anos, o Sport de Recife disputou a final da Copa do Brasil contra o Corinthians. Eu tenho um amigo corintiano e ele que me perdoe, mas eu torci loucamente pelo Sport, uma vez que sua vitória derrubaria esse preceito de que o Nordeste não pode chegar lá. Tanto podia, que chegou.
O que se precisa compreender é que futebol não significa razão, nem técnica e muito menos passos marcados. Eu, que já fui são-paulina por pura admiração técnica pelo futebol, sei que futebol é passional, amor, irracionalidade, batalha, angústia, vibração. Por isso, me descobri rubro negra.
Chegar a uma final se estabelecendo padrões e vencedores é não amar futebol. Quem ama futebol acredita, mesmo na eminência da derrota, que tudo é possível. Isso é o gostoso de ser torcedor: lutar até o fim por amor a uma camisa.
Destaque, dentro do campo, para Ramon, que teve garra e foi além dos seus limites. Fora do campo, Petkovic, que declarou sua admiração e torcida pelo time que o revelou aqui no Brasil. Ambos, com demonstrações claras de amor pelo Vitória e, consequentemente, pelo futebol.
É o momento em que o futebol nordestino precisa se solidificar. Com os principais times de Pernambuco e o Bahia na segunda divisão, somente o Vitória e o Ceará representam nossa região hoje.
Não foi dessa vez, mas o meu amor por esse time cresce cada dia mais. Assim, sem explicações, porque futebol não exige elucidação e sim, dedicação.
2 Comentários:
Brocante o Texto
o Vitoria tem Um Time que custa 1 Milhão de Reais por mês Quanto custa o Santos ?
Raça, Determinação, Entrega, Lealdade Isso Não se Compra
Parabéns Negona
Orgulhoso e Privilegiado de Torcer para Um Time de Guerreiros
Ótimo texto.
Concordo que os comentaristas foram e são parciais em favor dos times do sudeste - sobretudo paulistas e cariocas - mas isso, na minha opinião, é absolutamente natural, pois, como sabemos, futebol é paixão, emoção e esses comentaristas e suas respectivas emissoras são de quais estados? Rio e São Paulo, então é natural que, mesmo sendo emissoras nacionais, eles tendam a "favorecer" os times aos quais eles tem uma relação mais próxima. Isso acontece aqui com as emissoras de rádio, ou mesmo quando há transmissões na tv. É natural. Como também é natural quem torce pelos times do Nordeste se sentirem vitimizados. Concordo que a raça é importante, pois de nada adianta um time ser técnico e não ter vontade de vencer, não lutar pela vitória até o fim. Mas quando um time é tecnicamente superior ao outro e tem essa vontade, a técnica prevalece. Não se ganha só com raça. Olha o exemplo da Seleção na Copa. O Vitória jogou com raça e técnica, tanto que fez um ótimo jogo e venceu o time do Santos. Mas as falhas da primeira partida fizeram muita diferença. E a diferença técnica entre os dois é muito grande. E por mais antipáticos que sejam os "meninos" da Vila, eles tinham a vontade de ganhar seu primeiro título de expressão nacional, jogaram com vontade também, sobretudo o primeiro jogo. No segundo confronto administraram o resultado. Mereceram o título. E querendo ou não, faz bem ao futebol, tão mecanizado hoje em dia, um time de técnica, como é o time do Santos, vencer campeonatos, isso prova que é possível jogar bonito e ser eficiente. Como Corintiano Ortodoxo que sou, naturalmente torceria contra o Santos, mas sou um amante do futebol bem jogado de outras épocas e o Santos trouxe um pouco disso de volta. Faz bem ao futebol.
Foi importante o Vitória chegar até a final sim. Isso projetou ainda mais o time nacionalmente. Mas pra mim, o Vitória se rebaixa demais quando apenas se compara com o Bahia. O tricolor não ganha um título há nove anos, está desde 2003 em divisões inferiores. Esse contentamento do torcedor do Vitória em apenas ser melhor que o Bahia é um pensamento muito pequeno. Passou da hora de ganhar um título de expressão. O time está no caminho certo, só falta "o" detalhe. Copa Sulamericana vem aí...
Desculpe por me estender tanto. É que quando falo de futebol, me empolgo...
Adorei o texto. De verdade.
Abraço Mandarino.
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