18 de agosto de 2010

O admirável poder do voto

eleicoes

O Jornal Nacional informou essa semana algo que todo brasileiro já sabia: a saúde é a maior preocupação deste país. Não à toa. A precariedade na saúde é um reflexo do descaso que o Brasil tem enfrentado neste aspecto desde 2002. Os  avanços que a saúde alcançou até então foram desprezados e estagnaram graças a isso.

A saúde é uma preocupação porque sem ela não somos nada. O investimento na qualidade de vida de um povo se inicia na saúde e, a partir daí, criam-se as suas grandes ramificações: educação, segurança e infra-estrutura.

Apesar de os índices da preocupação com a saúde serem maiores no nordeste, norte e centro-oeste, ironicamente, somos nós (porque eu sou nordestina e tenho conhecimento de causa para falar) quem menos reconhece essa prioridade na hora de decidir a quem daremos o nosso precioso voto.

Eu me sinto a vontade para falar abertamente sobre isso no meu blog uma vez que tenho convicção e crença naquilo que digo, sem qualquer amarra política ou interesse pessoal, e sou somente uma cidadã que vê a necessidade do “pensar” sobre o “agir”. Argumentar é necessário.

Repertório é essencial para alguém que se propõe a representar 190 milhões de brasileiros. dilma-serra-marina-minas-hojeemdia2-g-20100507

Nem a Bahia nem o Brasil podem se esquecer dos avanços nos programas de vacinação para idosos e crianças, da criação dos genéricos, que viabilizou o acesso da maior parte dos brasileiros aos medicamentos e da criação do coquetel para tratamento da AIDS, que há alguns anos era somente uma sentença de morte. Esses programas mudaram o Brasil e a nossa Bahia, inegavelmente.

É muito fácil se abnegar dessas informações ocupando uma posição confortável. A realidade do nosso país de “confortável” tem muito pouco. Por isso, conhecer de perto o que o povo precisa é importante. Sobretudo para quem conseguiu provar que não só os que nascem em berço de ouro podem obter conquistas. A educação pode proporcionar o mesmo destino. E foi assim com Serra.

Pouco se sabe sobre José serra. Mas ele, assim como nosso atual presidente gosta tanto de dizer sobre si mesmo, é de origem humilde. O que diferencia os dois é uma palavra simples, mas importante: vontade. Serra desde cedo reconheceu a importância do estudo e batalhou. Resultado: conseguiu chegar ao nível superior. Mas não só de estudo se forma um caráter: Serra é um homem esclarecido, inteligente, capaz e preparado. Ele tem história.

Serra é “o cara” da saúde. Mas já mostrou que pode também ser “o cara” da segurança, da educação, do combate ao desemprego.

Há alguns anos, o Partido dos Trabalhadores se limitava a tecer enormes críticas ao governo tucano. Eu engrossava o coro, como todo brasileiro que procurava por mudança e acreditava que o Brasil podia mais. Entretanto, representando a maior contradição da história, o PT não fez muito diferente. E o maior acerto dele foi, sem dúvidas, manter a economia bem construída de FHC.

Foi aí, lá pelos meados de 2004, que eu percebi a importância de o “pensar” vir antes do “agir”.

Bolsa família, PAC e afins representam menos do que parecem. O Bolsa Família é um assistencialismo barato que não educa nem contribui para o futuro do Brasil. O PAC não passa de gerenciamento de obras (palavras da incrível e íntegra Marina Silva). O problema é que o Programa de Aceleração do Crescimento tornou-se propositadamente plataforma política, mesmo não passando de um momento de inauguração de pedras fundamentais.

Um dos maiores erros que o brasileiro está cometendo nessas eleições é a crença no continuísmo por pura conveniência. Lula não é Dilma. E por mais que a (genial) propaganda política de Dilma tente pôr nosso presidente nos holofotes, dia 1º de Janeiro ele vai embora. E quem fica é o presidente eleito. Se espera que Dilma seja uma governante passiva e que faça parte da figuração de um terceiro mandato de Lula. Ela, que já demonstrou destempero em suas atitudes com aliados, dificilmente será uma cópia feminina do grande populista ou uma “mãe”, como quer nos convencer: será uma pedilmassoa impetuosa e inexperiente com mais poder do que consegue administrar.

Afinal, ela (que era ministra das minas e energias na época) não soube administrar aquele último apagão, não é mesmo? O que dizer de um país inteiro?

Não troquemos nossos valores. O poder que Lula identificou em si mesmo tem feito com que ele nos “indique” uma sucessora. Mas o voto não deve ser barganhado. A grande maioria dos eleitores de Dilma não sabe o que ela propõe além da continuidade. O voto é pessoal e intransferível. Você quer votar, vote. Mas tenha argumentos para votar. O brasileiro tem que aprender a pensar melhor na sua decisão, não por partido ou por “padrinho” político, mas por propostas válidas.

Não sejamos permissivos.

Pense: você está satisfeito com a saúde, com a educação? Você tem confiança de sair na rua sem preocupação? Em delimitação estadual e federal. Pense!

Se não, se permita mudar. Não quero jamais convencer alguém a apoiar minhas convicções sem raciocínio.

Falando da Bahia e do governo estadual, acreditar na melhoria não significa simplesmente voltar ao Democratas, já que Jaques Wagner é uma versão piorada do antigo governador. Mas a insatisfação (porque eu não acredito que haja satisfação com o que está acontecendo) deve ser explicitada e usada como agente modificador. Não existem somente dois candidatos. E talvez haja um condizente com o que você pensa. Basta procurar.

Eu escolhi meus candidatos (presidência e governo) por crença. Por isso, voto com a cabeça erguida. E essa sensação é impagável.

#recomendo

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