10 de julho de 2010

Um dia de terror: Eclipse


A série de livros Crepúsculo foi (e ainda é) lida por milhares de pessoas ao redor do mundo. A história de amor do vampiro Edward e a humana Isabella encantou tanto que virou filme. Eu tenho até vergonha de confessar que li todos os quatro livros. Devo deixar muito bem esclarecido que li todos eles antes de assistir qualquer um dos três filmes já lançados. E sim, me encantei com Edward, me encantei com a história de amor que o livro conta. Eu sou uma confessa apaixonada por livros de ficção, por Shakespeare, por Harry Potter, enfim... Isso eu não nego e não tenho vergonha de assumir. Dos casais dos livros de literatura que devorei por toda a minha vida, Romeu e Julieta, Tristão e Isolda, ambos do inglês William Shakespeare, sempre foram os melhores em matéria de fundamentos filosofo-amorosos. Até surgir Stephanie Meyer com seu casal moderno, Edward e Bella. Ela descreve o amor sublime lindamente e isso me prendeu à série e fez com que este casal entrasse para o meu seleto hall de Melhores.

Mas o ser humano que teve a maldita ideia de transformar Crepúsculo, Lua Nova, Eclipse e Amanhecer em filme quebrou toda a minha magia e merece a morte por enforcamento. Hoje, a “saga” Crepúsculo se tornou um pesadelo. Façam uma homenagem aos que criticam à série de filmes! Eles merecem! Não falo nem dos efeitos, que conseguiram ficar aceitáveis neste terceiro filme, que assisti hoje (por infortúnio, devo dizer). Falo do enredo bizarro e, sobretudo, dos novos fãs daquilo que se tornou a modinha dos últimos tempos.

Chamar adolescente de “aborrecente” não é atual, mas tem mais fundamento hoje do que há alguns anos. Tenho muito medo desta geração que está logo atrás da minha, os meninos de 11 a 17 anos hoje em dia. São mal educados, indisciplinados, não têm valores bem estabelecidos, banalizam tudo e estão sem um pingo de limite. Assistir Eclipse foi simplesmente pagar todos os meus pecados desta vida.

Meninas de 11 anos gritando “gostoso, eu sou toda sua” é assustador, juro. Meninos da mesma idade chamando qualquer homem bonito que aparecesse na telona de “corno”. Eles lá sabem o real significado de cada uma dessas palavras? Que saibam, ou não. Acho que muito em breve os pais dessas crianças irão pagar pela educação que negligenciaram. Mas eu sempre achei que a educação doméstica, aquela que garante um “obrigada, bom dia, desculpa”, fosse o mínimo a se passar. Errada estou. Sabe o preceito básico de respeito ao próximo? Isso não existe para os adolescentes de hoje. Eles gritam, xingam, falam coisas que nem conhecem, tornam tudo, até a si mesmo, banal.

Se Crepúsculo virou alvo de críticas e piadinhas, deve-se isso ao público que arrastou. Sabe o lindo amor de Edward e Bella que tanto me encantou? O filme não passa isso. Bella é uma piranhinha galinha que sente tesão pelo cachorro, mas tem mais status com o morcego. Bella é o retrato das adolescentes que assistem Crepúsculo e gritam “Gostoso!” quando o Lobisomem aparece seminu ou gritam “Corno!” quando o pobre vampiro apaixonado assiste sua garota beijar o adversário na maior cara de pau.

Não acho mais tão linda a história do livro. O filme transformou o enredo em uma fábula adolescente de dúvidas, onde a certeza principal, o tal amor dos mocinhos, está longe de ser vista. Talvez isso seja culpa do roteirista. Talvez da péssima atriz que interpreta Bella. Mas, no fim das contas, é uma decepção. Algumas partes são boas, mas todas elas foram perdidas entre os gritos histéricos dos fãs de playground. A cena em que Edward e Bella ficam noivos e a cena da batalha final (que é pequena demais!) ocuparam mais meus momentos de raiva do que os de devida atenção.

Se algum dia você quiser se aventurar com os filmes, indico que faça isso no sofá da sua casa e não em um cinema lotado de crianças estranhas.

E se algum dia te der na telha de ler os livros, faça isso! Indico. Mas não assista aos filmes depois, ok?

E, por último, se algum dia você quiser ter filhos, pense bem e tente não pôr no mundo mais um fã de Restart que use calça colada e cabelo esquisito e que grite dentro do Cinema.

2 Comentários:

vell disse...

Mila, eu não xingo. mas PUTA QUE PARIU que texto bem escrito do cacete! Sinceramente você me impressionou, posso postar no meu blog, dando os devidos créditos?

Parabéééns menina! AMEI demais! um beijo

Jefferson disse...

Fechou lá Mila... nem preciso dizer mais nada, você disse TUDO, e muito bem. Parabéns pelo texto. Eu já aprendi minha lição, os fãs desta Saga fizeram o favor de me ensinar, e olha q eu nem fui assistir Lua nova, foi 2012. Acho q vc tbm aprendeu a sua... rsrsrs. E acho incrivel como uma geração pode mudar tanto em tão pouco tempo, afinal nós temos apenas 20, 21, 22 anos. Como pode mudar tanto assim? Saudades do meu tempo! Será q estou ficando velho? Olha como eu já estou falando... kkkkkkkk