7 de julho de 2010

Política na Internet


A perspectiva que a propaganda pode agregar à política é assustadora de tão enorme. Desde que foi aprovada pelo Congresso, com a abrangência das novas mídias sociais, à propaganda política via Internet assumirá um papel decisivo no momento da identificação política e da fortificação da imagem de um candidato.

A entrada da propaganda política na internet poderá ser rentável aos candidatos se for bem utilizada. Este é meu medo, uma vez que no Brasil não há disciplina nem coerência. São raros os marqueteiros que conseguem fazer uso dessas ferramentas novas sabiamente e eu tenho minhas crenças de que, no fundo, será um bombardeio político incessante e capaz de tirar do sério os internautas. O trabalho dos políticos certamente será executado como foi na Campanha de Obama: a busca de financiamento para a campanha e, sobretudo, a participação ativa dos jovens.

O IBGE disponibiliza na internet dados demográficos para acesso da população. O estudo sobre Jovens (faixa que abrange dos 15 aos 24 anos) mais recente fala de 1996, onde a taxa da população jovem era cerca de 19% em relação a população brasileira total. Isso representa mais do que muitos votos: pode significar também o poder de se criar uma mentalidade política favorável a um partido ou outro. Isso cresce, afinal, os jovens de hoje representarão os adultos e chefes de família em alguns anos. E esse jovem pode ser um formador de opiniões nas próximas eleições.

A candidata à presidência pelo PV, Marina Silva, já tem pontos positivos recolhidos pela campanha via internet. Inaugurou ontem o primeiro comitê voluntário, localizado na zona Sul de São Paulo (e pretende inaugurar outros três), que deve trabalhar em prol de Marina. Isso deve auxiliar na campanha da candidata, que tem um investimento escasso e extremamente menor do que seus adversários.

Será permitido o uso de Blogs. E-mails e serviço de SMS e mensagens diretas em redes sociais serão permitidas mediante autorização do usuário. Ou seja, caso você receba algo de algum candidato sem a sua permissão, pode dar entrada a uma denúncia no ministério público. Conforme eu já falei aqui no Blog, em uma outra postagem sobre Política e propaganda ( clique aqui para ler ), o atual presidente de Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, já faz uso das mídias para expandir a propaganda que faz do seu governo e na tentativa de reforçar a presença do Partido dos Trabalhadores. Lula criou o “Blog do Lula”, tem uma emissora “oficial” e uma Rádio, onde no programa “Café com o Presidente” ele é o protagonista do show. Ironicamente, falo da mesma pessoa que tem uma guerra particular com a imprensa. Talvez ele esteja criando sua própria imprensa, afinal, na busca de noticiar apenas o que lhe é conveniente. Não sei o por quê, mas me lembrei de Hugo Chavéz neste momento.

Portanto, desde ontem as propagandas eleitorais estão oficialmente liberadas. Preparem seus blocks, seus lixos eletrônicos. Como eu disse, um bom uso poderá ser rentável, como foi para Obama. Talvez por isso, Dilma Russef, candidata à presidência pelo PT, contratou a equipe de marketing que elegeu Obama para dar consultoria à sua campanha. Mas Obama soube utilizar destes novos meios. Além do que, ele era um candidato moderno, o que tornou sua estratégia condizente com o seu perfil. Os comitês políticos brasileiros precisam se firmar na ética e na qualidade para que não seja feita uma lambança eleitoral na internet que acabem por ridicularizar seus candidatos. Quer uma prova de que cada qual deve estar com seu cada qual? Dilma se fincou na imagem de Che Guevara, o assassino argentino, poser de idealista revolucionário, para promover o pontapé inicial da sua campanha pela internet. Mas tirou do ar rapidamente o texto revolucionário postado, que foi visto com maus olhos pela bancada mais branda do partido. Resolveu, simplesmente, pedir apoio aos jovens.

É ver para crer. Seja o que Deus quiser.

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