Na próxima segunda-feira a Faculdade retorna. É a parte da minha vida em que acordar ás 4:30 da manhã é necessário. Enfim, querendo ou não, eu estou sentindo falta. São os amigos, as conversas, o novo aprendizado somando saberes... A única parte realmente chata é ter que acordar de madrugada.
Para refrescar a mente, me vi relendo Xerox, apostilas, anotações. Por alto e somente aquilo que gostei, porque eu não sou nenhuma CDF alucinada. Mas, ironicamente, a parte que mais deteve minha atenção foi justamente o assunto da matéria-piada do semestre: Práticas Investigativas. É que pelo nome, ninguém vai levar a sério a disciplina. Eu me senti a Sherlock Holmes da Bahia quando vi a grade. E, honestamente, eu não entendi bem o por quê da disciplina levar esse nome estranho.
Práticas Investigativas Interdisciplinares busca nos dar conceitos e fundamentos em aspectos variados. Neste quinto semestre a abordagem foi em torno do Design estrutural de Embalagens. Devo dizer que foi super útil.
Bom, abaixo estão os pontos que aprendi explanados de forma não muito genérica.
Desde as primeiras civilizações que se fez necessário conter, proteger e transportar um produto e para isso, surgiram às embalagens primitivas. O nascimento das indústrias e do comércio trouxe a necessidade de também identificar o conteúdo das embalagens e conter o nome do fabricante.
É importante ressaltar que todo o processo evolutivo das embalagens acompanhou a história da humanidade. Na antiguidade, as ânforas com formatos diferenciados serviram para precisar o conteúdo. Até hoje, isso, que denominamos Design Estrutural Diferenciado, é a ferramenta mais usada para agregar personalidade e rápida identificação. Quem não reconhece o Leite Condensado Moça só ao “pegar na cintura” da embalagem? Somente para curiosidade, a ideia também busca facilitar o momento em que o consumidor pega na embalagem. Isso é meio subjetivo, mas é real.
Foi no período pós-Segunda Guerra Mundial que a indústria de embalagens contou com uma novidade responsável por sua maior evolução: O surgimento dos supermercados. Eles trouxeram a venda em sistema de Auto-Serviço, que estimulou a importância das embalagens terem as informações necessárias para que a venda do produto se concretize sem o auxílio dos vendedores. Ou seja, não havia mais alguém atrás do balcão explicando as qualidades e características do produto, trabalhando no convencimento.
A partir daí, foram incorporados os recursos gráficos e efeitos visuais. A fotografia também contribuiu para o sistema de auto-serviço e criou-se o conceito de Apetite Appeal, que é uma imagem produzida para despertar o desejo do consumidor.
Ou seja, a embalagem agregou a si mais “utilidades” do que o conter e o identificar. Essa é a embalagem moderna: a que faz tudo sozinha.![]()
Também no início dos anos 40, a embalagem ganhou um novo elemento de comunicação visual que é muito utilizado: O Splash. Ele serve para alardear os atributos do produto na embalagem.
Nos anos 60, outro grande marco. A revolução Cultural e a explosão do feminismo e das juventudes mobilizadas fizeram com que as indústrias percebessem a influência da embalagem na decisão de compra. Foi nesse aspecto que Andy Warhol (que trabalhava para a vanguardista nas artes visuais, a Pop Art) criou a famosa lata de sopas Campbells.
Hoje o Design da embalagem é complexo que trata não só da Comunicação Visual, mas também do comportamento do consumidor, das estratégias de marketing e até mesmo de uma abrangência administrativa.
As Funções da embalagem: Despertar atenção, transmitir informações básicas, ressaltar atributos, agregar valor ao produto.
Percebam que a embalagem funciona realmente: Ela é segmentada e proporciona uma comunicação direta com o público. Há um tipo de embalagem que tem força no mercado, que são as promocionais. Quando uma empresa faz uso das embalagens promocionais, que são aquelas de edições especiais ou de datas comemorativas e até mesmo as multi-packs (pacotes tipo “leve dois e pague um”), elas simplesmente estão mostrando ao consumidor que o seu produto está vivo, atuante e atento com aquilo que está acontecendo no mundo. Este conceito e valorização podem ainda ser transferidos para a marca.
Existem pesquisas que indicam que embalagens especiais alavancam as vendas, sendo revitalizadoras do processo de compra.
Essa importância de estar atento no mundo ao seu redor significa simplesmente analisar o Macroambiente. E são dois os grandes fatores que estão mudando o cenário deste macroambiente: o e-commerce e os novos apelos sociais ecológicos. ![]()
Basta olhar um pouco e os exemplos já aparecem. Ainda há a ação em conjunto dos ambientes tecnológico e ecológico, como a criação de plásticos biodegradáveis. Ou o “monopólio” da TetraPack na indústria de embalagens, que é mais higiênica e reciclável.
O e-comerce tem desafiado a indústria de embalagens, já que necessita de produtos mais protegidos e duráveis. É um apelo da sociedade que precisa ser atendido.
Outra exigência do Macroambiente é a funcionalidade das embalagens. A sociedade contemporânea, cada vez mais individualizada e que se alimenta com rapidez e facilidade, precisa de alimentos em porções individuais, de fácil manuseio e, muitas vezes, instantâneos, que economizem espaço excedente e tenham praticidade.
Por fim, basta que se tenha compreendido que há muito tempo uma embalagem não somente protege e transporta. Ela informa, identifica, promove, consolida uma imagem e, sobretudo, auxilia num processo de venda.
Bom, é isso.
Até a próxima!
1 Comentários:
Aí, fiquei com vontade de ter uma aula sua depois desse texto.
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