
“Aquilo que é impenetrável para nós existe de fato. Por trás dos segredos da natureza há algo sutil, intangível e inexplicável. A veneração a esta força que está além de tudo o que podemos compreender é a minha religião.” Albert Einstein.
A crença e a fé são individuais, nunca coletivas. Por mais que se elejam templos onde elas se estabelecem e nesses templos se reúnam pessoas com a religião em comum, o que se passa dentro de cada indivíduo é único e singular.
Em tempos de tanta dor, tristeza e desastres, muitas vezes questionamos a nossa fé. Entretanto, há quem se agarre ainda mais a ela quando tudo parece perdido. É o meu caso.
Falar de Religião é muito complexo. É um assunto do qual procuro não abordar demais, já que isso perpassa o individual, como citei no início. Mas eu não incentivo a palavra Religião. Com o passar do tempo, ela só afastou pessoas de “crenças diferentes”, ou assim se entende. Mas, na verdade, a intolerância religiosa afastou irmãos.
A presença da juventude, sobretudo nas Igrejas Evangélicas, tem sido crescente. Desde cedo, muitos adolescentes se direcionam a fé. Comigo foi diferente. Eu já frequentava o Espiritismo com uns nove anos, acompanhada da minha família. Só que isso não fez de mim espírita imediatamente e minha família não me pressionou. Depois de uns seis anos e um período completamente afastada de qualquer templo religioso, eu voltei a me direcionar para o Espiritismo. Sabe a Ordem a partir do Caos? Acho que foi mais ou menos assim.
Há tanta coisa ruim acontecendo no mundo. Tantas pessoas que perderam seus valores. A morte tornou-se banal e a vida do outro perdeu o devido valor. A falta de respeito do ser humano para com tudo ao seu redor trouxe um estado de Caos. É a natureza refletindo tudo aquilo que nós fizemos com ela durante todos esses anos, são discussões bobas que levam à “justiça com as próprias mãos”, pessoas que usam o poder que tem de maneira equivocada. Dor e sofrimento são sentimentos comuns e cotidianos. O que aconteceu com a humanidade, afinal?
É natural que diante de tudo isso, a fé se perca. Mas eu fui procurar respostas, um guia ou até mesmo um consolo. Em ano de Centenário de Chico Xavier, o Espiritismo virou tema corriqueiro e, espero, isso talvez ajude na sua correta compreensão. Graças a Deus, nunca bateram de frente comigo por causa de Religião. Mesmo que minha melhor amiga sendo evangélica, isso nunca atrapalhou nossa amizade, uma vez que compreendemos que somos filhas do mesmo e único Deus.
A doutrina espírita sofre muito com a intolerância. Há pensamentos absolutamente errados a cerca do seu significado e há quem confunda Espiritismo com a Umbanda, religião de origem genuinamente brasileira que cultua e recebe orixás e que, de fato, tem o costume de mesas brancas, o que não acontece no espiritismo kardecista, como muitos afirmam, sem saber.
Eu não vou falar de outras doutrinas, apenas da Espírita, que é a que eu conheço e compartilho.
O homem que se conhece como Allan Kardec foi quem deu as coordenadas ao espiritismo kardecista. No século XIX, Kardec psicografou O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e O Evangelho Segundo o Espiritismo. Este último, interpreta os evangelhos canônicos de acordo com a doutrina espírita. O que se precisa entender sobre o Espiritismo é que são princípios Cristãos, há a crença em Jesus, há a crença em Deus e o que nos diferencia das demais religiões cristãs é a crença no espírito como imortal e que reencarna para poder evoluir espiritualmente até conseguir se aperfeiçoar a ponto de não precisar mais da reencarnação por estar, enfim, preparado para o mundo de Deus. É na reencarnação, também, que nós creditamos a chamada “Lei de Causa e Efeito”, onde se pagam os carmas de vidas passadas.
O espiritismo também desconstrói o dogma da Santíssima Trindade, pondo Deus como único e absoluto e não cultua imagens ou altares, entretanto, permite (dentre muitas outras coisas) o sincretismo, o que torna esse aspecto individual.
Há também a possibilidade de comunicação com o mundo espiritual, que acontece por intermédio dos médiuns, como Chico Xavier. Talvez seja este o ponto mais polêmico da doutrina.
Enfim, apesar de cada um ter a concepção que quiser das mais diversas religiões, eu estou inclinada a crer que a Religiosidade é válida. Até para os mais céticos, o fato da humanidade não perder as esperanças é importante para manter a ordem e o funcionamento dela.
O que não é válido sob nenhuma ótica é o extremismo. O extremismo impede a aceitação de outras ideologias que diferem da sua e mais: gera reações intolerantes em cadeia. O Islã, por exemplo, tem uma cultura linda e sofre muito com a intolerância por possuir uma vertente extremista. Daí os extremistas fazem com que as demais pessoas tenham compreensões erradas sobre a cultura.
Se todos os seres humanos percebessem a importância da vida, a importância de se aprender com as dificuldades, a beleza de dar valor ao que se alcança e que o bem e a solicitude devem ser praticados para engrandecer o espírito, estaríamos em situação melhor. Esses princípios, observem, independem de Religiões. São válidos pela simples compreensão de Cidadania.
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