30 de junho de 2010

Plim, Plim!


O “CALA BOCA GALVÃO” se tornou o fenômeno mundial das últimas semanas. O que começou como uma brincadeira, uma piada interna genuinamente brasileira, tomou proporções enormes ao ponto de chegar ao New York Times e a Veja.

Por mais que a essência da “campanha” seja uma tentativa desesperada das vítimas (nós) dos ataques do comunicador mais cheio de jargões dos últimos tempos, o que aconteceu foi bem menos ofensivo. Galvão disse que levou na esportiva e a frase caiu na obscuridade. Há dias não se fala mais nisso e tudo continua na mesma: Galvão continua dando apelidos asquerosos (o mais novo é Luis Fabuloso, para Luis Fabiano) e fazendo os gracejos de sempre.

O que vale para a discussão é um outro aspecto. Logo após a jorrada de CALA BOCA GALVÃO surgiu um novo tema, desta vez, mais polêmico: Um dia sem Globo. Qualquer ser humano sabe que a rede Globo é a maior emissora da América Latina. Odiada por muitos e apreciada por outros tantos, a Globo tem uma história bem peculiar (para não dizer sinistra) e um caso de amor e ódio com muitos brasileiros. É conhecida, por exemplo, a guerra da emissora com a Record, rede de televisão do bispo Edir Macedo, que também não reflete nenhuma pureza, já que sobrevive do dinheiro de fiéis e cresce de maneira tão assustadora que talvez seus meios não sejam tão dignos a ponto de ter algum prestígio para falar da Rede Globo. É certo que o problema de Edir Macedo com a Globo não tenha nada de glorioso ou missionário. É uma guerra de poder e de dinheiro, coisas que o bispo da igreja Universal tanto admira.

O dia sem Globo furou, obviamente. Por mais que os inimigos da emissora de Roberto Marinho tentem desmerecê-la o “prestígio” e o destaque que a Rede Globo conquistou não cairão facilmente. Os que desafiam mais profundamente a líder incontestável de audiência podem até ter “gogó”, mas precisam abrir um pouco mais as suas cabecinhas e pensar melhor numa estratégia. Na maior parte dos casos, essas pessoas são politicamente ligadas a algum grupo reprimido ou são inimigas do capitalismo, da globalização e seus afins. Erram mediocremente ao buscarem reforço em mensagens subliminares de alienação ou irem mais baixo. Para deter a Globo, precisa pensar.

Quem fala em alienação é demonstra que usa muito pouco do cérebro. Qualquer pessoa que tenha conceitos básicos de comunicação sabe que o correto seria pensar numa tentativa de persuasão. A Teoria Hipodérmica, a preferida do Comunismo, é a que mais cita a alienação. Mas saibam que ela logo foi derrubada por ser considerada ultrapassada. O mundo Capitalista nos cerca em um consumismo desenfreado e, por isso, somos atingidos a todo tempo por propagandas em diversos meios de comunicação. É simplesmente a lei do mais forte sob o mais fraco. Infelizmente, meu amigo, é a vida: nascemos para consumir.

O que não torna a propaganda (ou qualquer meio que sobreviva da mídia) alienada. Quando você diz que é uma alienação simplesmente desmerece o poder de raciocínio do ser humano. As mídias tentam a todo o momento lhe convencer ou lhe persuadir. Mas ninguém vai lhe dizer “ou compra ou morre”: o desejo não é sinônimo da ação.

Ninguém assiste à Globo obrigado. A não ser que a sua televisão não sintonize outro canal. Mas ainda assim, cabe a alternativa de desligá-la e ler um bom livro. Acontece que a Rede Globo (que pode até não ter uma filosofia agradável) estabelece um padrão de qualidade. Mas preste atenção: falo desse padrão de qualidade não na programação ou no conteúdo. O padrão de qualidade Globo está contido no modus operandi da emissora. O que ela faz pode ser inútil, mas é bem feito.

Assim, seu Zé, aposentado que mora em Itaberada, interior da Bahia, não vai distinguir muito bem o conteúdo, mas vai assistir o que achar melhor e mais cabível. O Globo Rural, por exemplo, e não o programa da Igreja Universal, que passa no mesmo horário. E a esposa de seu Zé vai assistir às novelas da Globo. Porque ou é isso ou a novela dos mutantes, que é tão insossa quanto às globais, mas é pior, afinal, é malfeita.

Ou seja, a Globo só vai perder a liderança ou melhorar seu conteúdo quando tiver concorrência digna. Não é alienação. É a mais simples falta de opção. Aos poucos alguns canais estão trabalhando na tentativa de persuasão de um jeito melhor: a Band conquistou grande parte dos telespectadores às 22:30 toda segunda-feira. E ela não alienou ninguém, nem ameaçou matar a mãe se não trocassem de canal: ela trouxe o CQC, que ganhou da Globo porque soube reunir conteúdo e qualidade de produção.

Ana Maria Braga, Faustão, Xuxa, Passione, Galvão Bueno, Casal Nacional... Você pode até não gostar deles, mas vai aturar sim. Pelo menos até que se arranje algo “menos pior”.

5 Comentários:

AntonioJr disse...

Muito interessante seu post camila, mas acho que a globo esta perdendo um pouco de espaço também para os canais de TV à cabo ou canais fechados.

Mesmo assim continua quase absoluta.

vell disse...

como não assisto nenhuma desses canais não sou aberta a emitir opniões. mas é fato que as pessoas em sua maioria assistem a globo por falta de opção.

belo texto mila.
beijos

Ps. Feliz por seu noivado!

Cleber: disse...

Não vou comentar outras atrações pois, não as assisto... mas falando de futebol, não há dúvida que as transmissões da Globo são as melhores... aliás, deixe-me corrigir... as menos piores. Porque a quantidade de absurdos que alguns narradores e comentaristas falam é enorme. Tava sentindo falta do Casagrande, ainda bem que ele voltou. E Falcão tá cada dia melhor. Mas apesar disso, concordo em parte com você, as outras emissoras ainda não foram competentes o bastante para suplantar a globo. Eu até tento mudar de canal, mas aí aparece Neto comentando, Luciano do Valle narrando... não dá né... fazer o que? Voltar pra globo... ah e a imagem é melhor também... Veja bem, tô falando só de transmissões de futebol, que é só o que vejo na TV.

Só uma coisa.. Num país de ignorantes como o nosso, a Televisão tem o poder de influenciar muito as pessoas... deveria ser melhor usada... Mas isso é utopia babaca da minha cabeça...

Camila Mandarino disse...

Cleber, entenda uma coisa: você jamais será babaca! rsrs Sim, é fato que ela tem um poder de persuasão maior sobre os ignorantes. Fato. Mas até onde isso é alienação? E isso é um (de)mérito da TV como um todo...

Cleber: disse...

Não tenho competência para dizer o que é ou não alienação, nesse caso... Só acho que a tv devia entreter, mas também educar... não sei como, mas tem muita gente muito mais inteligente do que eu por aí que sabe... Mas, o que sinto é que a tv deixa as pessoas, de um modo geral, mais idiotas...