4 de junho de 2010

Cidade do Saber/ Cidade da Dança



Você pode não saber, mas está acontecendo o Ballace, Festival Nacional de Dança, em Camaçarí, mais especificamente, na Cidade do Saber. Camaçarí, que esteve na mídia de maneira tão negativa nos últimos dias, também tem coisas boas para mostrar, mesmo que você não perceba.

A impressão que se tem do Ballace simplesmente observando-o de um ângulo distante é bem efêmera. De perto que se percebe a contribuição deste evento para a cultura brasileira e a sua importância cabal.

São, ao todo, quatro dias de apresentações que reúnem dançarinos de todo o país. E o mais impressionante é a quantidade de novas bailarinas no circuito. Meninas de 12 ou 13 anos que já têm atitude de gente grande e dançam lindamente. Tive o prazer de conhecer Barbara Casali e Natália Kerner, duas garotas que não chegaram nem aos quinze anos e já possuem a completa noção de que o ballet é uma profissão que exige disciplina e dedicação. Natália, por intermédio de seu grande talento, conquistou uma bolsa para o Kirov Academy of Ballet of Washington. Hoje conversei com as duas, que apresentaram juntas um Duo avançado e arrancaram aplausos do público com muito louvor.

O Ballace tem um brilho próprio. A Cidade do Saber, quando recebe esse evento, se torna a capital da dança, ou, como diz meu colega Daniel, uma Babel da Cultura, responsável por reunir nomes diversos com o mesmo objetivo. É o quarto ano que temos o prazer de abrigar o festival nacional de dança e a cada ano a dedicação que as escolas de ballet destinam ao Ballace é mais visível e fica ainda melhor de assistir.

É muito gratificante fazer parte deste incentivo nato à cultura. Em um país tão carente de apoio à produção cultural, encontrar um cantinho onde se respira dança, na mais completa diversidade de modos, é fantástico. Hoje Ana Cristina, organizadora do Ballace, ressaltou que enquanto o festival de dança ocorre, atividades paralelas são executadas, como o mini-curso com a inoxidável Toshie Kobayashi e, sobretudo, a audição do Balé Bolshoi.

Este é um capítulo a parte na história do festival, talvez seja a parte mais esperada. Surge aqui a oportunidade da realização de um sonho. São selecionadas algumas crianças, numa atividade mais lúdica do que conceitual, que irão a Joinville pleitear uma bolsa para estudar na escola Balé Bolshoi do Brasil. É um sonho tão palpável, que mobiliza as crianças que estudam ballet na Cidade do Saber. Certamente porque alguns pequenos talentos de Camaçarí hoje moram em Joinville e conquistaram essa bolsa, tão almejada por outros tantos pequenos camaçarienses.

Um garotinho chamado Adriano é o único menino que está disputando a bolsa. Se apaixonou pelo Ballet aos cinco anos, quando via a irmã ensaiar. Aos seis, conseguiu uma vaga para o ballet da Cidade do Saber e hoje, aos oito, está na busca da consagração do seu sonho.

Trabalhei por dois dias no evento e tive a chance de conhecer boas histórias e coisas legais que acontecem nos bastidores. O evento ainda acontece até o próximo domingo, seguirá sem mim. Mas, sem dúvidas, o melhor momento foi ouvir Ana Cristina dizer “sempre espero encontrar grandes talentos em Camaçarí”.

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