
Não é mais novidade que no mercado de trabalho está faltando profissionais qualificados, sobrando empregos. O setor de construção, engenharia civil, é o que demonstra isso de forma mais contundente. Entretanto, no Brasil são oito milhões de desempregados e no nordeste essa massa de pessoas sem qualificação é maior do que nas demais regiões.
Isso é reflexo de todo um contexto cultural e social. Fato. Hoje acontecem algumas ações sociais que buscam diminuir o atraso educacional do nordeste, entretanto, infelizmente somos cercados pela corrupção de forma tão intensa (e por todos os lados) que essas ações sociais não costumam ir tão longe ou são cheias de segundas intenções. Resta-nos, enfim, a tentativa de crescer por conta própria se houver a vontade de ir adiante.
Voltando ao assunto de qualificação profissional, nesta semana o Bom Dia Brasil, exibido pela Rede Globo, apresentou alguns destes dados citados no primeiro parágrafo. Miriam Leitão, especialista em economia, ressaltou que sim, há muita gente sem competência no mercado, mas falta certa receptividade das empresas para com os jovens que buscam o primeiro emprego e com pessoas acima dos 45 anos, pelo já arcaico preconceito com a idade.
Atrevendo-me a chamar de incompetência e não mais de falta de competência (uma vez que a falta de competência pode ser somente uma inércia e não um fato consumado), me preocupa o fato de que as novas mídias e a evolução dos meios de comunicação não tenham trazido uma melhora massiva. Ao contrário, tornou-se comum saber muito sobre pouco e pouco sobre muito. Ou seja, o bombardeio de informações “coisificou” o Saber humano de uma maneira que são raras as informações processadas e aprofundadas no conhecimento. A evolução dos meios de comunicação não está sendo bem aproveitada.
O nível superior mudou os seus conceitos e prioridades: antes, a prioridade era a formação humanística, posteriormente, a qualidade no ensino. Em seguida, a formação técnica, daí veio à pura necessidade de ter um nível superior. Foi-se o tempo em que o diploma era diferencial, pré-requisito. Hoje, a preço de banana no mercado (e responsável pela disseminação de profissionais incompetentes), qualquer um tem um diploma. Qualquer semi-analfabeto ou analfabeto funcional, qualquer ignorante proposital.
Eu defino como Ignorante proposital àquele que pode e que tem as fontes, os meios, a possibilidade, mas se nega a acessá-las. São as pessoas que, por exemplo, tem acesso à internet, mas utilizam-na para ler o horóscopo e entrar no bate-papo. Pessoas que entram na faculdade e saem dela sem a menor mudança em sua formação cultural.
A ignorância tem limite. Limite pra quem convive e limite para a auto-percepção. E fica mais difícil admitir quando existe fonte, meios de informação, mas que são ignorados. Posso até ir mais longe: essa ignorância está concomitante à prepotência de se pôr acima da necessidade de buscar conteúdo.
Quem tem competência se estabelece. Lenny Alves costuma me dizer que por mais que todos os anos se formem pessoas sem a menor competência, estrutura gramatical, sem a capacidade de elaborar um texto de três parágrafos, essas pessoas servirão para ressaltar aquelas que têm capacidade. Pode ser. Talvez estejamos decifrando o enigma do porquê de tantos empregos e tão poucos candidatos à altura.
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