Gosto de esperar pelas propagandas de fim de ano. Elas são mais institucionais, o conceito de venda está muito mais implícito. Gosto das mensagens que elas passam, curto o estilo. Eu gostei da nova propaganda do banco do Brasil, a minha preferida das de fim de ano. Assistam depois. Ela muda o foco. O narrador fala em nome do ano novo e pede mais tolerância e mais importância aos “seus 365 dias”. Mas mais linda é a da Coca-Cola, que anuncia seu patrocínio à Copa de 2010.
Uma pessoa que trabalha comigo cometeu a asneira de dizer que o Natal é uma época de hipocrisia onde pessoas forçam um espírito humanitário. Pode ser que muita gente vá por esse lado, mas é certo e coerente afirmar que o natal trás sim um espírito de amor aos nossos corações de modo que ficamos em maior contato com um estado de paz e doação, posso até dizer que ficamos mais perto de Deus e de sua benevolência.
Essa minha colega deveria aproveitar o tempo que gasta falando besteira para pensar um pouco. No mundo em que nos encontramos, onde a vida perdeu o valor e somos nossos próprios algozes, é muito importante fazer a diferença. É fundamental saber que ficar parado matracando o que é ou o que deixa de ser o tal espírito natalino não te trará absolutamente nada. A diferença está muito além da inércia.
No meu natal desse ano começamos o amigo secreto com o meu pai. E ele soube introduzir sabiamente a crença do que ele vê deste espírito natalino. Fomos atropelados pelo consumo e pela ideia de presentear. Esquecemos a verdadeira mensagem que o natal nos passa: o nascimento de Cristo. Sim, é uma data simbólica, sem fundamentação. Mas o significado vai além da crença. O fim do ano, como um todo, deveria trazer consigo por obrigação uma reflexão humana estendida. O que fizemos de bom?
Perdoem-me se estou sendo piegas, mas o ano novo vem atrelado ao meu aniversário. E Copenhague me deixou muito mais decepcionada com a humanidade do que antes. Independente da preleção Maia e de todo mau agouro é inegável que precisamos fazer algo pela humanidade e muito rápido. É de se entender que estamos matando a nós mesmos, aos nossos familiares, amigos, aos nossos descendentes. Somos obrigados a confiar em líderes que foram tomados pelo desejo e ambição. Soa comunista e esquerdista né? Mais ainda sou eu falando. Sou somente eu decepcionada com Obama, Minc, Sarkozi e companhia.
É isso que deixo como mensagem de fim de ano: doação, compreensão e reflexão que gerem atitudes. Fazer algo pelo próximo e não esquecer que isso sim é natal, isso sim é comemoração e celebração. Fica aqui o meu pedido desesperado.

