sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Financiamento clandestino

A pirataria é um tema polêmico, assim como o aborto, o uso de drogas, a política, a diversidade religiosa e tantos outros. Mas é um tema amplo e interessante de propor discussão.


Eu sou a favor do software livre. Inclusive promovo-o aqui no blog utilizando do creative commons, porque acredito que a internet é um puta meio de comunicação e a melhor forma de agregar conhecimento e bagagem. A internet nos elevou a um patamar que torna o todo atingível de maneira muito mais fácil. E, saber usá-la sabiamente permite que tenhamos acesso a opiniões diversas, fóruns de discussão e, sobretudo, torna inteligível um acervo cultural gigantesco.


Mas eu considero que usufruir disso é diferente de se apropriar disso. Ou seja, eu luto para que a internet se legalize como pólo de divulgação da indústria cultural e não que se torne uma ferramenta da pirataria. Eu não acredito que baixar uma música na internet para VOCÊ escutar ou baixar um livro pra ler não é a mesma coisa de usar disso como meio de ganhar a vida. Uma coisa é o software livre, todos tendo acesso, cada um com seu cada qual. Outra é a pirataria, que, querendo ou não, financia o tráfico, financia o trabalho informal, dá um baita dinheiro para traficantes e afins.


Não precisa reiterar que eu sou firmemente contra o uso de drogas, liberação da maconha e afins. E quando eu digo que não compro filmes, CDs ou qualquer coisa pirata é a mais pura verdade. E o que me dói é viver numa sociedade onde não beber do mercado informal é absurdo. Ainda me dão argumentos. E são argumentos infundados porque basta você pesquisar um pouquinho que percebe as demais alternativas pelas quais deveríamos lutar na tentativa de combater os preços altos.


Altos é relativo, não é? Dá R$ 20,00 num CD não é tão absurdo. Muito mais se gasta em coisas irrisórias. Um bom CD vale muito que isso, calculando o benefício. Deveríamos correr atrás de alternativas como o software livre, onde tudo seria disponibilizado de maneira formal e a redução de impostos calculados em cima do repasse.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dica de Cinema





Tem um bom tempo que não dou uma boa dica de cinema. E tenho até assistido a filmes bons. Assisti “A troca”, com Angelina Jolie, recentemente e é realmente legal. Triste, depressivo, mas legal. Assisti também “Em busca da felicidade” e “sete vidas”, ambos com Will Smith. E me encantei mais ainda por esse ator maravilhoso. Filmes excelentes. Mas a minha dica é do ultimo filme que eu assisti: Mamma Mia.

Mamma Mia é um musical adaptado de um musical da Brodway (de Catherine Johnson) e foi lançado em 2008. Mistura excelente atores (Meryl Streep, Pierce Brosnan, Colin Firth, Stellan Skarsgard, Amanda Seyfried e Dominic Cooper nos papéis principais) com boa música e com um cenário paradisíaco: as ilhas Gregas.

O musical é todo feito com músicas do ABBA, grupo sueco da década de 70 que fez o maior sucesso com a música disco. Inclusive, os dois cantores do ABBA, Benny Andersson e Björn Ulvaeus fazem parte da produção do filme. O filme mistura romance, diversão, música, dança e comédia de uma maneira incrível.

A história se passa na Grécia. Sophie (Amanda Seyfried), que vai se casar, tem o sonho de entrar na igreja com o pai. Só que Sophie não sabe quem é seu pai. A mãe de Sophie, Donna (Maryl Streep), não sabe qual dos seus casos de um verão é o pai da sua filha: Sam (Pierce Brosnan), Harry (Colin Firth) ou Bill (Stellan Skarsgard). E sem sua mãe saber, Sophie leu o diário dela e viu que um dos três homens pode ser de fato seu pai, e mesmo ela não sabendo qual deles é realmente, Sophie quer que eles presenciem esse momento de felicidade em sua vida: seu casamento com Sky (Dominic Cooper).


O melhor do filme é que os atores cantam. E cantam bem. Destaque para Amanda Seyfried. As músicas animadas e dançantes do ABBA não deixam o filme cansativo e elas se encaixam perfeitamente com os momentos. É incrível também, ver que Meryl Streep fica cada dia mais linda. E mais versátil. É um ótimo filme para assistir sem compromisso num fim de semana em casa. E você vai querer comprar o CD da trilha sonora, é certo.


O próximo filme que irei assistir é Divã. Se me empolgar tanto quanto Mamma Mia, eu falo.


Arivedecci!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Detalhes e propaganda imoral

Amanhã é um dia lindo. Por duas razões extremamente importantes e significantes: aniversário da minha mãe, minha mentora, minha amiga. E 11 meses de namoro. Às vésperas de 1 ano, uma relação que só acrescenta coisas boas na minha vida. Leo hoje é muito mais que um namorado. É meu melhor amigo, uma pessoa em quem confio sem precedentes. É o meu grande amor.





Sim... rs. Trabalhar a propaganda para o mal é facinho facinho. Na última semana, criar uma propaganda politicamente incorreta foi água com açúcar pra minha equipe. Tanto que Yasmin Dias e Naiad Silva, criadoras da peça, fizeram-na duas semanas antes da apresentação. Como de praxe, a parte teórica, o trabalhar as críticas à peça usando o Conar ficou pra mim. E foi legal, juro. Criticar o errado também flui fácil pra caramba.


Como ando sem gás para escrever rios de letrinhas e postar, segue a peça e a parte da apresentação, a crítica, só pra ninguém achar que abandonei meu blog.


Só registrando o dia como um dia também especial. Meu ídolo me enxergou no meio da multidão.


Princípios desrespeitados na peça criada:

CAPÍTULO II - PRINCÍPIOS GERAIS

SEÇÃO 1 - Respeitabilidade

Artigo 19 Toda atividade publicitária deve caracterizar-se pelo respeito à dignidade da pessoa humana, à intimidade, ao interesse social, às instituições e símbolos nacionais, às autoridades constituídas e ao núcleo familiar.


Artigo 21 Os anúncios não devem conter nada que possa induzir a atividades criminosas ou ilegais – ou que pareça favorecer, enaltecer ou estimular tais atividades.


SEÇÃO 2 – Decência

Artigo 22 Os anúncios não devem conter afirmações ou apresentações visuais ou auditivas que ofendam os padrões de decência que prevaleçam entre aqueles que a publicidade poderá atingir.


Artigo 26 Os anúncios não devem conter nada que possa conduzir à violência.


São claras as irregularidades da peça.


Além dos princípios acima citados, um fator relevante é o uso de desenhos para a representação da peça. Figuras assim atraem crianças. E o que é preocupante é o conteúdo. Um homem claramente mirando sua arma num alvo que se encontra na traseira de uma representação da figura feminina. Isso concebe um desrespeito aos nossos princípios, de acordo com o Artigo 19Toda atividade publicitária deve caracterizar-se pelo respeito à dignidade da pessoa humana, à intimidade, ao interesse social, às instituições e símbolos nacionais, às autoridades constituídas e ao núcleo familiar”.


Ainda analisando através da ótica infantil, a frase, de claro duplo sentido, remete uma condução à violência em sua primeira impressão e segundo o Artigo 21Os anúncios não devem conter nada que possa induzir a atividades criminosas ou ilegais – ou que pareça favorecer, enaltecer ou estimular tais atividades”.


O outdoor é uma mídia quase que incapaz de ser segmentada. Por isso, facilmente atinge não só o target, mas toda uma infinidade de pessoas. Portanto, um outdoor deve representar algo que mexa tanto com os valores e àquilo que deve ser respeitado de acordo com nossas normas vigentes. Isto está explícito no Artigo 22Os anúncios não devem conter afirmações ou apresentações visuais ou auditivas que ofendam os padrões de decência que prevaleçam entre aqueles que a publicidade poderá atingir”.


Partindo para a visão da mulher, a peça apresentada é ofensivo, tratando a imagem feminina de modo pejorativo, desrespeitoso de maneira machista.


Algo mais implícito, entretanto visível, é que a imagem feminina utilizada representa uma colegial. E colegiais são estereotipadas como menores de idade. O que figura um desrespeito que chega aos parâmetros judiciais.



quarta-feira, 21 de outubro de 2009

...

Não estou com muito tempo pra escrever e isso está me matando. Mas, infelizmente, é a realidade. Tem o fim do semestre se aproximando, sete matérias para dar conta... Além do Promojob, que me fez pirar na ultima semana. Prova, trabalho, ação, produção de peças e ainda encontro “atividades” domésticas no caminho. Toda vez que eu relaxo e tenho tempo pra pensar, durmo. Juro. Lá estou eu, relaxada, pronta pra raciocinar, quando de repente... caí no sono.


Ainda rolam os estresses do dia-dia. Mas é a vida; quando está tudo tranquilo demais desce um OVNI sabe-se lá Deus de onde e tenta fazer com que tudo desande. Mas eu não vou me deixar abater. Inveja, hipocrisia e injustiça, pepeô, sai de retro, mangalô três vezes.


Por não ter mais nada a falar e nenhum assunto a explorar, vou postar uma análise que fiz sobre uma peça da arquitetura barroca (matéria – História das artes). Foi uma parte muito prazerosa desse turbilhão. Escolhi como objeto de análise o êxtase de santa Teresa. Depois posto as peças do promojob.




TERESA D’ÁVILA

Eu estou com aquele que me habita

É claro que me acompanha

Por isso o meu desenho resplandece

Por isso me vês por outra figura

Sanguínea e vital



José Maria de Aguiar Carreiro

Chuva de Época, Ponta Delgada, 2005.



  • Histórico:

A Obra de Gian Lorenzo Bernini representa a experiência mística que Santa Teresa vivenciou ao ser trespassada por uma lança do amor divino, atirada por um anjo durante um momento em que sentia um vazio dentro de si. Santa Teresa morreu em 1582 e deixou um legado importante para o catolicismo. Cada vez mais convencida de sua indignidade, ela invocava com freqüência os grandes santos penitentes.

Santa Teresa de Ávila é tida como um dos maiores gênios que a humanidade já produziu. E esse reconhecimento parte de qualquer um que tenha acesso à percepção de sua viva e arguta inteligência, a força persuasiva de seus argumentos, seu estilo vivo e seu bom senso.

  • Análise da Obra Barroca:

A obra em questão é de Gian Lorenzo Bernini, escultor do século XVII. Assim como ratifica o texto de Selma Soares de Oliveira, o Barroco é diretamente conduzido pelas mudanças sociais dos séculos XVI e XVII. Entre essas, há a contra-reforma. E Bernini foi influenciado pela religião Cristã a partir do momento em que o papa Urbano VIII o escolheu para a composição do seu projeto arquitetônico. E o legado que os artistas influenciados pela contra-reforma deixaram para o Barroco foi riquíssimo.

A Basílica de São Pedro é o reflexo desta relação entre Gian Bernini e o papa Urbano VIII. Ela acaba por representar o renascimento da igreja. O “extase de Santa Teresa” tornou-se muito mais do que se imagina pra o barroco. Sua contribuição estética, e porque não dizer cultural, representa um dos fatos artísticos do século VXII.

A natureza mística da obra é percebida facilmente. Representa a expressividade e a fidelidade que assinalam o barroco, segundo Selma Soares de Oliveira. Fatores que contribuem: a iluminação e o estímulo emocional, característico da arte religiosa barroca. Nota-se o uso do mármore e do dourado (oposição de cores), as linhas opostas (a seta e o corpo da santa) e a sensualidade e movimento. Todas essas características, plenas da arquitetura barroca.

Hoje a obra se encontra em um nicho em mármore na Capela Cornaro, Igreja de Santa Maria della Vittoria, Roma. A ligação do barroco à religiosidade impregnou várias setores da arte. Por isso caracteriza tão fortemente a dualidade entre Divino e Humano. E é na representação que os artistas veem a ligação entre esses dois mundos. E a arte rebuscada das igrejas católicas durante o período da contra-reforma é que manifesta a oposição à reforma protestante. A obra é sedutora e parte integrante até pela expressividade fiel e clima teatral que o cenário de mármore cria. Nada disso por acaso.